O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações sobre o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a condução da pandemia de Covid-19 durante o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23/10). Lula responsabilizou o governo Jair Bolsonaro pela gestão da crise sanitária, enquanto Flávio negou que pretenda cortar recursos da saúde e lembrou que o pai foi atendido pelo SUS após sofrer um atentado em 2018.
A discussão começou quando Lula questionou o adversário sobre declarações atribuídas a um integrante de sua equipe, segundo as quais um eventual governo Flávio Bolsonaro não destinaria novos recursos ao SUS.
O presidente também criticou a atuação de Jair Bolsonaro durante a pandemia, que provocou mais de 700 mil mortes no Brasil.
“Ele optou por deixar morrer 700 mil pessoas com a Covid, ao invés de atender à demanda científica dos médicos e dos pesquisadores”, acusou Lula.
Flávio negou a possibilidade de reduzir investimentos no sistema público de saúde. Segundo o senador, sua proposta de corte de gastos, chamada de “tesouraço”, teria como foco a burocracia, os impostos e o combate à corrupção.
“O tesouraço vai ser na corrupção do atual governo. O tesouraço vai ser na burocracia. O tesouraço vai ser nos impostos que você criou”, afirmou.
Lula relembra atuação de Bolsonaro na pandemia
Na réplica, Lula defendeu os profissionais de saúde e afirmou que o SUS foi fundamental para evitar um número ainda maior de mortes durante a pandemia.
O presidente voltou a criticar declarações de Jair Bolsonaro sobre as vacinas e o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19.
“É importante o povo brasileiro saber que o SUS é o responsável por evitar que morresse mais gente da Covid depois da responsabilidade do governo do pai dele”, declarou.
Lula também acusou o ex-presidente de minimizar a gravidade da doença e de debochar de pessoas que enfrentavam dificuldades respiratórias.
Flávio cita atentado contra o pai
Na tréplica, Flávio reafirmou que pretende manter os investimentos no SUS e citou o atendimento prestado a Jair Bolsonaro na Santa Casa de Juiz de Fora, em Minas Gerais, após o atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018.
“Meu pai foi salvo de uma facada que foi dada por um ex-integrante do PSOL, na Santa Casa de Juiz de Fora. Foi o SUS que salvou o presidente Bolsonaro”, afirmou.
O senador também criticou problemas na gestão da saúde pública, como a falta de medicamentos e a demora para conseguir atendimento em especialidades médicas.
“É óbvio que vai ter investimento no SUS. Eu vou manter, sim, vou investir no SUS, sim”, declarou.
Flávio ainda mencionou a posição do PT durante a votação da Constituição de 1988, que estabeleceu as bases do sistema público de saúde.
O encontro desta sexta-feira foi o último debate entre os candidatos antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25/10).