O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (23/10) a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de uma holding ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A decisão também prevê a suspensão das atividades empresariais do investigado e o bloqueio de bens até o limite de R$ 6 bilhões. Willer é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Moraes estabeleceu prazo de 24 horas para o envio dos dados, contado a partir da formalização das notificações às autoridades responsáveis.
O ministro também determinou o cancelamento dos passaportes do advogado, incluindo um diplomático, e a suspensão das atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as suas empresas.
A decisão prevê ainda o sequestro, o bloqueio e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis até R$ 6 bilhões. Os antigos e atuais correntistas das empresas deverão ser informados sobre o caso.
Investigação sobre fraudes no INSS
Willer Tomaz é um dos alvos da operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal para investigar suspeitas de fraudes em benefícios previdenciários.
Uma das frentes da investigação apura a relação financeira do advogado com o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Segundo a PF, uma empresa de Willer comprou uma mansão avaliada em R$ 6 milhões, apontada como residência de Weverton. Os investigadores descrevem o advogado como responsável por uma estrutura de apoio financeiro, patrimonial e logístico ao parlamentar.
Willer e Weverton negam as acusações.
Relação com Flávio Bolsonaro
Na semana passada, a Polícia Federal encaminhou ao STF um pedido de abertura de inquérito contra Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Willer Tomaz.
A campanha do candidato afirmou que ele não é investigado no Supremo. Segundo a defesa apresentada pela equipe, o pedido ainda não havia sido convertido em inquérito, pois dependia de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de decisão judicial.
Outra frente da investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas a plataformas de apostas e empresas de pagamento.
De acordo com os dados apresentados na investigação, as operações de Willer no setor de apostas movimentaram R$ 6,3 bilhões desde a regulamentação do mercado, em 2025. Desse total, 99,98% estariam relacionados a jogos online, como cassinos virtuais.
Também há suspeitas de uma sociedade indireta entre Flávio e Willer na plataforma de apostas Best Bet, por meio de empresas no exterior e contas bancárias compartilhadas.
Uma holding de apostas pertencente ao advogado também teria custeado voos do senador entre Portugal e França, em 2025.
Flávio nega irregularidades e sustenta que mantém apenas uma relação de amizade com Willer.
“Associar essa afinidade pessoal a suposições de irregularidades é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”, afirmou o candidato anteriormente.
Os dois também negaram a existência de uma sociedade empresarial indireta.
Amizade foi mencionada no debate da Globo
A relação entre Flávio e Willer entrou na discussão do debate presidencial da TV Globo, na noite desta sexta-feira (23/10).
Lula questionou o adversário sobre uma disputa envolvendo uma ilha que o jogador Richarlison afirma ter comprado por R$ 10 milhões. O presidente mencionou a participação de Willer no caso e cobrou explicações sobre a relação entre os dois.
Flávio respondeu que o advogado é seu amigo, mas negou qualquer sociedade. O senador também afirmou que a disputa pela ilha já havia sido decidida pela Justiça.
A decisão de Moraes ocorre em meio às investigações sobre os negócios de Willer, a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais.