O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial brasileira. Em entrevista à revista francesa Le Point, Milei disse ter “muita esperança” de que seu “amigo Flávio Bolsonaro” vença a disputa em outubro.
Milei também chamou Lula de “ladrão” e fez acusações sobre a campanha presidencial argentina de 2023. Segundo o presidente argentino, Lula teria enviado comunicadores e psicólogos brasileiros a Buenos Aires para atuar contra sua candidatura. A declaração foi apresentada por Milei durante a entrevista, sem nenhuma comprovação.
Milei diz separar comércio de conflito político
Questionado sobre como pretende manter a relação comercial entre Argentina e Brasil diante das divergências com Lula, Milei afirmou que as duas áreas devem ser tratadas separadamente.
Segundo o argentino, o comércio envolve empresas dos dois países e não deveria ser interrompido por suas divergências políticas com o presidente brasileiro. A relação comercial entre os dois países segue sendo um dos principais pontos de contato entre os governos.
Ao mesmo tempo, Milei voltou a criticar Lula e afirmou que o presidente brasileiro teria deixado a prisão por uma decisão que classificou como “administrativa”. A declaração retoma uma interpretação apresentada pelo argentino sobre o processo judicial envolvendo o presidente brasileiro.
Apoio a Flávio Bolsonaro
Ao falar sobre a eleição brasileira, Milei afirmou esperar a vitória de Flávio Bolsonaro. “Tenho muita esperança de que meu amigo Flávio Bolsonaro vença em outubro”, afirmou o presidente argentino, segundo a Le Point. Milei disse ainda esperar que uma eventual vitória do senador resulte em um processo que chamou de “saneamento liberal” no Brasil.
A aproximação entre os dois ganhou força neste ano. Milei participou, em São Paulo, da convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência e manifestou apoio ao senador.
Relação entre Milei e Lula
As declarações ocorrem em meio às divergências públicas entre os presidentes do Brasil e da Argentina. A Le Point descreveu a relação entre os dois governos como uma crise que ultrapassou a esfera pessoal e passou a atingir a relação bilateral.
Apesar do conflito político, Milei afirmou que pretende manter separadas as relações comerciais entre empresas argentinas e brasileiras e suas divergências com Lula.
As novas declarações do presidente argentino colocam a relação com o próximo governo brasileiro como um dos temas de atenção na agenda bilateral caso Lula seja reeleito.