O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (15/10), que pretende enfrentar o problema fiscal brasileiro por meio do crescimento da economia e rejeitou a adoção de cortes que, segundo ele, atinjam a população mais pobre. Durante sabatina da TV Globo, o candidato à reeleição também defendeu políticas de crédito e renegociação de dívidas e afirmou que não pretende abandonar investimentos para reduzir o endividamento público.
“O jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia ficar crescendo. É fazer a economia crescer”, afirmou Lula.
A declaração ocorreu após Lula ser questionado sobre a avaliação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, de que o modelo de crescimento baseado no estímulo ao consumo estaria esgotado e de que seria necessário reduzir gastos para permitir a queda dos juros e ampliar o crescimento.
Lula disse discordar da ideia de que o ajuste das contas públicas deva ocorrer por meio de medidas que atinjam os mais pobres.
“Toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga. Toda vez, o povo pobre. E eu não quero que o povo pobre pague”, declarou.
O presidente também afirmou que está preocupado com o crescimento da dívida pública e reconheceu a necessidade de manter controle sobre as contas.
“Eu sei que, se a gente perder o controle do nosso orçamento, a coisa quebra e vai sobrar para o lado mais pobre”, disse.
‘Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza’
Questionado sobre o que faria em um eventual novo mandato para alterar a trajetória da dívida pública, Lula disse ter divergências com parte dos economistas e voltou a defender sua estratégia baseada na circulação de recursos e no estímulo aos pequenos negócios.
“Eu tenho divergência de muitos economistas, porque eu tenho uma tese econômica. A minha tese é a seguinte: muito dinheiro na mão de poucos é pobreza e pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza”, afirmou.
Lula citou microcrédito, microempreendedores e pequenos empresários como áreas nas quais pretende continuar apostando.
“O que faz a economia do Brasil crescer é a chamada microeconomia. É fazer o dinheiro rodar na mão do povo. Se o dinheiro fica concentrado em meia dúzia de pessoas, o Brasil vai continuar pobre”, disse.
O presidente argumentou ainda que o aumento da dívida pode ser justificável quando os recursos são direcionados a investimentos capazes de gerar retorno econômico.
“Se você fizer uma dívida e essa dívida for para construir um ativo produtivo para o país, uma ferrovia, uma hidrelétrica, um porto que tenha recebíveis, é importante que você até tenha uma dívida”, afirmou.
Lula fala em R$ 150 bilhões para renegociação de dívidas
Durante a sabatina, Lula também falou sobre uma nova etapa do Desenrola. Segundo o presidente, o governo trabalha com a possibilidade de adquirir dívidas de pessoas que devem até R$ 4 mil e estão inadimplentes há mais de dois anos.
“Nós estamos achando que é possível a gente colocar uns R$ 150 bilhões para comprar essa dívida”, afirmou.
Lula disse que a expectativa é de que as instituições financeiras ofereçam descontos superiores a 90% no valor dessas dívidas durante um leilão. Os números e as condições foram apresentados pelo próprio presidente durante a entrevista.
Ele também afirmou ter sugerido o estudo de uma anistia para R$ 12,7 bilhões em dívida ativa relacionada a pequenos empreendedores, além da disponibilização de uma espécie de aval de R$ 5 mil para quem regularizar a situação.
Segundo Lula, essas medidas fazem parte da estratégia para estimular pequenos e médios empreendedores e movimentar a economia.