O primeiro debate da TV Bandeirantes para o governo de Minas Gerais lançou uma marca específica: a de “anti-ataques” ao líder das pesquisas e uma pancadaria moderada para quem comanda a Cidade Administrativa.
Por mais curioso que seja, há alguns motivos para a ausência de um tiroteio contra o senador. Cleitinho capitaneia pautas com ressonância no eleitorado: o fim da apreensão de carros com IPVA atrasado, críticas aos salários de políticos e menções reiteradas à palavra “povo”, colocando-se quase como um proprietário desse lugar. Enfim, um outsider antissistema que fala uma linguagem popular.
Ao que parece, ninguém sabe bem como desconstruir um candidato que elogia Bolsonaro, faz acenos ao público do presidente Lula e tem a capacidade de desviar de polêmicas com um pedido de desculpas ou uma fala sobre humildade.
Em dois raros momentos, no primeiro debate, Cleitinho foi questionado sobre as perdas com a arrecadação do IPVA e sobre ter votado a favor do Propag, o programa de pagamento da dívida com a União no qual MG está inserido. Inquirido por um jornalista sobre uma das situações, e sobre Kalil em outra, o senador pelo Republicanos passou longe de ser emparedado pelos outros quatro candidatos presentes.
Esse cenário impõe dificuldades porque Cleitinho faz algo impensável: agrega eleitores que são da base de Lula e de Bolsonaro. Como um candidato lulista modera críticas ao ex-presidente? E como fazer o inverso? É um dilema cuja solução, a partir da terceira via, não prosperou até agora.
Por fim, a dificuldade, até então, de Mateus Simões ser identificado como o governador de Minas também esfriou o ímpeto de direcionar a ele os problemas do estado. Se poucos sabem que ele é o responsável pela Saúde, Educação, Segurança Pública e diversas outras áreas, o “ataque” fica limitado antes do “quê” ao “quem”. Por essas e outras, o debate ficou com um pé em cada canoa: nem críticas à gestão Zema-Simões, nem ao líder nas pesquisas como se esperava.