Lideranças progressistas do Congresso dos Estados Unidos cobraram, nesta sexta-feira (30/10), que o presidente norte-americano, Donald Trump, reconheça a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais brasileiras. Em nota conjunta, os parlamentares acusaram Trump de promover o que classificaram como “negacionismo eleitoral” e criticaram o senador Flávio Bolsonaro (PL) por se declarar presidente eleito após a derrota no segundo turno.
O posicionamento foi divulgado por integrantes da direção do Caucus Progressista, grupo que reúne cerca de 100 parlamentares da ala mais à esquerda do Partido Democrata. O documento é assinado pelo presidente do grupo, Greg Casar, do Texas, pela vice-presidente Ilhan Omar, de Minnesota, e por Jesús “Chuy” García, de Illinois, responsável pela articulação partidária.
Democratas acusam Trump de questionar resultado eleitoral
Na declaração, os congressistas afirmam que Trump tem intensificado os questionamentos sobre a eleição brasileira, apesar da diferença de mais de 4 milhões de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro.
“Trump continua intensificando seu negacionismo eleitoral”, afirmaram os parlamentares, ao mencionar as declarações do presidente norte-americano sobre a votação realizada no domingo (25/10).
Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%, uma diferença de aproximadamente 4,43 milhões de votos.
Na segunda-feira (26/10), Trump afirmou que a eleição brasileira “pareceu mais uma eleição fraudada”. Dois dias depois, voltou a comentar o processo eleitoral, declarou que não havia tomado partido na disputa e disse que autorizaria a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.
Os parlamentares democratas criticaram essas manifestações e defenderam que o governo norte-americano reconheça oficialmente o resultado anunciado pelas autoridades eleitorais brasileiras.
Flávio Bolsonaro também é alvo de críticas
A nota também menciona a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos após o segundo turno. Segundo os congressistas, o senador agradeceu a Trump pelo apoio e contestou o resultado da eleição, chegando a se apresentar como o legítimo presidente eleito.
“Assim que Flávio Bolsonaro desembarcou na Flórida, agradeceu a Donald Trump pelo apoio e afirmou que a eleição no Brasil foi roubada, chegando ao absurdo de se declarar o legítimo ‘presidente eleito'”, diz o documento.
Para os integrantes do Caucus Progressista, as declarações dos dois políticos representam uma tentativa de deslegitimar o resultado eleitoral brasileiro. O grupo defendeu que os Estados Unidos reconheçam a reeleição de Lula e interrompam os questionamentos sobre a legitimidade da votação.
“A parceria entre Trump e Bolsonaro no negacionismo eleitoral precisa parar imediatamente. Exigimos que os Estados Unidos se juntem ao resto do mundo na aceitação dos resultados da eleição no Brasil”, afirmaram.
Parlamentares prometem atuar contra interferência eleitoral
No encerramento da nota, os congressistas relacionaram as críticas à eleição brasileira com a preocupação sobre a integridade das eleições legislativas norte-americanas, previstas para novembro.
Os parlamentares afirmaram que pretendem utilizar os instrumentos disponíveis no Congresso para defender o processo eleitoral dos Estados Unidos e combater o que consideram interferência de Trump em disputas políticas de outros países.
“Estamos comprometidos em usar todas as ferramentas do Congresso à nossa disposição para defender a integridade eleitoral em casa e deter a interferência eleitoral e o negacionismo de Trump no exterior”, concluíram.
O Caucus Progressista integra o Congresso norte-americano, mas não representa oficialmente o governo dos Estados Unidos. A manifestação expressa a posição das lideranças do grupo, que fazem oposição política ao presidente Donald Trump.