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‘Pau que dá em Chico, dá em Francisco’, diz Domingos sobre investigar Moraes e outros do STF

Por Larissa Reis Rede 98
23/09/2026 08:30 Atualizado há 2 horas
domingos sávio
A declaração foi dada durante entrevista ao Start 98 News, nesta quarta-feira

O candidato ao Senado por Minas Gerais Domingos Sávio (PL) defendeu que denúncias envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), parlamentares e outras autoridades sejam investigadas com o mesmo critério, independentemente do partido ou do cargo ocupado. A declaração foi dada durante entrevista ao Start 98 News, nesta quarta-feira (23/9).

Questionado se a mesma régua utilizada para analisar a atuação do ministro Alexandre de Moraes deveria ser aplicada a outros integrantes do STF citados em suspeitas relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master, Domingos afirmou que não faria distinção entre autoridades.

“A régua tem que ser única para todo cidadão brasileiro. É inaceitável o que nós estamos vendo”, afirmou.

O candidato lembrou que já apresentou pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. Segundo ele, um dos primeiros foi contra Luís Roberto Barroso, após uma declaração do ministro sobre a derrota do bolsonarismo. Domingos também afirmou ter apresentado um pedido contra Alexandre de Moraes.

Ao defender que o Senado analise eventuais denúncias contra integrantes do Judiciário, o candidato disse que a medida deveria ser tomada independentemente de quem estivesse envolvido.

“Pau que dá em Chico, dá em Francisco, não importa de que partido que é. Eu não tenho conhecimento de nenhuma ação neste momento contra alguém do PL, mas, se tiver, tem que ser investigado, tem que ser apurado e a Justiça tem que ser igual para todos”, declarou.

Dívida de Minas

Outro tema discutido na entrevista foi a dívida de Minas Gerais com a União. Domingos defendeu uma nova negociação e afirmou que o modelo atual ainda compromete a capacidade de investimento do estado.

“Do jeito que tava era bem pior, é claro, mas da forma com que ficou continua impagável”, disse.

Segundo o candidato, os pagamentos mensais devem aumentar a partir de 2027. Ele defendeu que os recursos destinados à amortização da dívida possam permanecer em Minas para financiar investimentos.

“Minha opinião é que nós devemos, estabelecendo que o estado vai ter seriedade na sua gestão, vai garantir superávit para amortizar, mas aquilo que for amortização da dívida seja sempre reinvestido em Minas”, afirmou.

Domingos também citou perdas que, na avaliação dele, Minas sofreu com a Lei Kandir e com a distribuição dos royalties do petróleo. Ao abordar o tema, criticou uma decisão da ministra Cármen Lúcia relacionada à distribuição dos recursos.

“É outra coisa que precisa mudar esse absurdo do Supremo. Concluindo, nós fomos prejudicados com Lei Kandir, com a distribuição dos royalties do petróleo. E aí eu tô falando de bilhões”, declarou.

Copasa e Cemig

A privatização da Copasa também foi defendida por Domingos. Ele afirmou que participou da discussão do marco do saneamento e argumentou que a transferência da empresa para a iniciativa privada pode ser positiva caso resulte em ampliação dos serviços para a população.

“Eu entendo que privatizá-la com garantia de que melhore para os mineiros, de que tenha saneamento, aí vale a pena”, afirmou.

Para o candidato, a prioridade deve ser garantir que a população tenha acesso aos serviços previstos na legislação.

“O problema é você fazer política pública. Não pode ser para atender o interesse do governante de plantão, tem que ser para atender o cidadão”, disse.

Sobre a Cemig, Domingos adotou posição diferente e afirmou que a empresa tem caráter estratégico para Minas Gerais.

“A Cemig, no meu entendimento, é hiperestratégica. (…) O estado perderia total controle sobre algo que é estratégico para o desenvolvimento de Minas”, declarou.

Mineração

Na área de mineração, Domingos defendeu mudanças na Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). Ele lembrou que participou de alterações na cobrança e afirmou que a arrecadação ainda é insuficiente.

“Nós mudamos, passou a ser até 3,5% sobre o faturamento bruto, mas ainda assim é pouco”, afirmou.

Antes de simplesmente aumentar a alíquota, porém, o candidato defendeu mais investimentos na Agência Nacional de Mineração (ANM).

“Eu entendo que, mais do que simplesmente pensar em subir, o primeiro passo é investir na Agência Nacional de Mineração para ela ter estudos adequados”, disse.

Domingos também criticou o fato de o Brasil exportar minério e importar aço produzido na China.

“Nós no Brasil temos o minério, temos capacidade de produzir o aço e o Brasil tá importando o aço da China. A gente exporta minério pra China e importa aço da China”, afirmou.

Banco Master e investigação de parlamentares

Questionado sobre as suspeitas envolvendo políticos nas investigações relacionadas ao Banco Master, Domingos defendeu que parlamentares eventualmente citados também sejam investigados e submetidos aos procedimentos previstos no Congresso.

“Comigo nunca funcionou essa coisa de (…) proteger os colegas criminosos”, afirmou.

O candidato também relatou um episódio de 2015, quando foi processado por Luiz Inácio Lula da Silva e Fábio Luís Lula da Silva após declarações sobre a necessidade de investigação no contexto da CPI da Petrobras. Segundo Domingos, o processo acabou sendo arquivado.

“Eu citei, porque até agora não estão investigando o Lula e o Lulinha. E, na minha opinião, eles estão envolvidos, na minha opinião, eles têm que ser investigados”, afirmou na entrevista.

Ao relembrar o episódio, Domingos voltou a defender que parlamentares não façam distinção entre aliados e adversários quando houver suspeitas.

“Eu tenho oito mandatos de vida pública, nem um único processo. (…) Nenhum único processo. Aliás, eu tive uma tentativa de processo que foi arquivada”, declarou.

Relação com eventual governo federal

Domingos também falou sobre como pretende atuar no Senado caso o presidente eleito em 2026 seja de um campo político diferente do seu.

Ele declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e afirmou que faria oposição caso Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito.

“Se for Lula, é claro que eu vou fazer oposição”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Domingos disse que também pretende fiscalizar um eventual governo de Flávio Bolsonaro caso seja eleito.

“Flávio Bolsonaro não vai governar o Brasil sozinho. Ele tem que montar a equipe, ele depende de uma série da estrutura pública. E é dever do senador ter atitude independente no sentido de estar fiscalizando para que tudo esteja em ordem”, declarou.

Previdência e programas sociais

Na parte final da entrevista, Domingos defendeu mudanças na Previdência, mas afirmou que a proposta não seria simplesmente aumentar a idade de aposentadoria ou dificultar as regras para quem já contribui.

“Não tô falando para dificultar mais a vida de você que já paga a Previdência e que já tem regras, que vai te exigir uma aposentadoria já com a idade avançada. Não é isso”, disse.

Segundo ele, a prioridade deveria ser aumentar a formalização do mercado de trabalho e, consequentemente, a arrecadação previdenciária.

“Nós precisamos de criar mecanismos para que as pessoas sejam estimuladas a ter qualificação profissional, a arrumar uma forma de serem estimuladas a procurar um emprego com estabilidade, com um salário digno”, afirmou.

Sobre os programas sociais, Domingos defendeu a manutenção do benefício para quem precisa, mas criticou o que considera uma possível dependência permanente do Estado.

“Programa social é importante, é, mas nós não podemos transformar esse país no país em que a população vá crescendo em dependência de governo”, declarou.

Ele também defendeu que os benefícios sejam mantidos para pessoas sem condições de trabalhar ou que não tenham oportunidades de emprego.

“Nós temos que dar sim o benefício social, talvez até num valor maior, mas só para quem não tiver condição de trabalhar ou não houver uma oportunidade de emprego. É essa mudança”, afirmou.

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Larissa Reis
Larissa Reis
Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).