O filme Dark Horse, cinebiografia que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve sua primeira exibição ao público na noite de segunda-feira (15/06), em Las Vegas, nos Estados Unidos. A estreia ocorreu durante o Fraud Fighter Summit (Cúpula de Combate à Fraude), um encontro da direita norte-americana, e contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A produção, gravada integralmente em inglês, ainda não tem data de lançamento no Brasil.
Exibição discreta durante cúpula conservadora no hotel Ahern
A pré-estreia aconteceu no hotel Ahern, em Las Vegas, e marcou o encerramento do primeiro dia do evento, organizado por grupos conservadores. A primeira exibição foi conduzida sem grande divulgação prévia por parte de Eduardo Bolsonaro e seus aliados.
Após a sessão, Eduardo Bolsonaro e o diretor Cyrus Nowrasteh participaram de um painel mediado pelo influenciador Juan O’Savin. No filme, o ator norte-americano Jim Caviezel — conhecido por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo” (2004) — vive Bolsonaro. A obra retrata a campanha presidencial de 2018 e o atentado a faca sofrido pelo então candidato em Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Lançamento em inglês mira público internacional, diz Eduardo
Durante o painel, Eduardo Bolsonaro afirmou que o filme será um “pesadelo” para a esquerda e ressaltou a importância da chamada guerra cultural. O ex-deputado justificou a decisão de rodar a produção em inglês com o argumento de buscar um sucesso mundial e evitar bloqueios que, segundo ele, poderiam ocorrer caso o lançamento começasse pelo Brasil.
Eduardo Bolsonaro evita falar do financiamento de Vorcaro
Questionado sobre as polêmicas envolvendo o financiamento da obra, Eduardo Bolsonaro não respondeu ao tema e concentrou suas falas na tentativa de censura que atribui ao Partido dos Trabalhadores. O filme é alvo de investigação da Polícia Federal, que apura a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com o financiamento da produção. Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foi preso pela PF no âmbito da Operação Compliance Zero.
TSE rejeita ação do PT que pedia suspensão do filme
Antes da pré-estreia, o lançamento de “Dark Horse” já era alvo de disputa judicial. Na sexta-feira (12/6), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, considerou extinto o processo que questionava o uso do filme como propaganda eleitoral antecipada nas eleições de 2026. A representação havia sido apresentada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, do grupo Prerrogativas, que pediam a proibição da exibição, distribuição e circulação do longa durante o período eleitoral.
Nunes Marques extinguiu o processo sem analisar o mérito: o ministro entendeu que os autores não tinham legitimidade para propor a ação. Segundo a decisão, para questionar propaganda eleitoral de um candidato à Presidência, o autor da representação precisa disputar eleição na mesma circunscrição nacional do pleito — requisito que, no entendimento do ministro, Correia não cumpria.
Filme ainda sem data de estreia no Brasil
“Dark Horse” é dirigido por Cyrus Nowrasteh e tem roteiro com participação do deputado federal e ex-secretário de Cultura Mario Frias. A produtora afirma que o filme custou cerca de R$ 75 milhões e não teve recursos públicos. A estreia comercial estava prevista para setembro nos Estados Unidos, mas ainda não há data confirmada de lançamento em território brasileiro.
