Vinte e dois anos depois de mandar matar os próprios pais, Suzane von Richthofen, hoje com 42 anos, decidiu contar sua versão da história. Em um documentário inédito da Netflix, ela revisita o crime que a condenou a 39 anos de prisão — pena atualmente cumprida em regime aberto — e reconstrói, com suas próprias palavras, tudo que veio antes e depois daquela noite.
O título provisório diz tudo: “Suzane vai falar”. O longa tem quase duas horas de duração e, por ora, foi exibido apenas em pré-estreias restritas, sem data oficial de lançamento. Mesmo assim, já viralizou: imagens de Suzane em entrevista — inclusive na praia — foram compartilhadas nas redes sociais, e seu nome disparou nos trending topics do Google.
A infância e Daniel Cravinhos
O relato começa pela casa da família, descrita por ela como um ambiente sem afeto e marcado por cobranças. “Meu pai era zero afeto. Minha família não era família Doriana. Longe disso. Meus pais construíram um abismo entre nós”, afirmou.
Foi nesse vazio, segundo ela, que Daniel Cravinhos se tornou central. “Esse espaço vazio foi ocupado pelo Daniel.” Com ele, Suzane passou a levar uma vida dupla — saindo de casa às escondidas, viajando pelo litoral paulista. O ponto de virada foi quando os pais viajaram à Europa por 30 dias e Daniel se mudou para a casa da família.
“Foi um mês de liberdade total. Um sonho que eu não queria que acabasse. Era o dia inteiro de sexo, drogas e rock ‘n’ roll. Aquele mês mudou tudo na nossa vida.”
O crime e o reconhecimento da culpa
Sobre o planejamento, Suzane escolhe as palavras com cuidado. “Nós não falávamos em matar meus pais. A gente dizia que seria muito bom se eles não existissem.” Mas não escapa da responsabilidade.
“Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa. A culpa é minha. Claro que é minha.”
Na noite de 31 de outubro de 2002, enquanto os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos assassinavam Manfred e Marísia a pauladas no andar de cima, ela afirma ter ficado no sofá. “Com a mão no ouvido para não escutar nada.” E admite: “Eu sabia.”
A nova vida e a tentativa de virar a página
No documentário, Suzane também exibe a vida atual: o marido, o médico Felipe Zecchini Muniz, o filho pequeno e as enteadas. A redenção, segundo ela, tem nome e rosto.
“Quando eu olho para o meu filho, eu tenho a certeza de que Deus me perdoou.”
Mas escapar do próprio passado, ela reconhece, é impossível. “Você entra num lugar e parece que o ar para. Todo mundo olha. ‘Olha, a Suzane.'”
