A plataforma de streaming Spotify anunciou nesta terça-feira (11/8) que lançará, em meados de setembro, o selo “AI Persona” para para identificar perfis de artistas que não representam pessoas reais e foram criados com inteligência artificial. A medida faz parte da estratégia da plataforma para aumentar a transparência sobre o conteúdo disponível no serviço.
“Os ouvintes nos disseram claramente que não gostam de ver um perfil de artista que parece humano e depois descobrir que a pessoa foi gerada por IA”, afirmou a empresa em comunicado.
Segundo a empresa, esses perfis não serão incluídos em recomendações editoriais ou personalizadas. A exceção será para usuários que já sigam um desses criadores.
Em abril, a plataforma lançou o selo “Verificado pelo Spotify”. A identificação indica que o perfil passou por uma análise e atende aos critérios de autenticidade estabelecidos pela empresa.
O Spotify também informou que, no lançamento, mais de 99% dos artistas procurados ativamente pelos usuários serão verificados.
A prioridade será dada a perfis que tenham interesse ativo dos fãs ou contribuição reconhecida para a cultura musical. Catálogos voltados principalmente para músicas de fundo, como faixas para dormir, estudar ou relaxar, terão menor prioridade.
Além da verificação, a empresa começará a testar uma nova seção nos perfis de artistas. O recurso poderá aparecer mesmo em páginas que ainda não tenham recebido o selo.
A área deverá reunir informações como marcos da carreira, atividade de lançamentos e histórico de turnês. A proposta é oferecer ao usuário uma visão rápida sobre a trajetória do artista dentro da plataforma.
IA aumenta pressão sobre o streaming
A decisão do Spotify ocorre em meio ao crescimento da música gerada por inteligência artificial nas plataformas de streaming.
Segundo a Deezer, músicas criadas por IA já representam 44% de todas as novas faixas enviadas diariamente ao serviço. O volume chega a quase 75 mil músicas por dia.
A plataforma afirma que identifica, marca e remove músicas geradas por IA de suas recomendações algorítmicas. A empresa também deixou de armazenar versões em alta resolução desse tipo de conteúdo.
Além de ajudar o público a identificar quem está por trás de uma música, os sistemas de verificação envolvem questões relacionadas à remuneração, aos direitos autorais e à confiança no catálogo.
Com milhares de faixas sintéticas chegando diariamente aos serviços, também cresce o risco de confusão entre artistas reais, projetos fictícios, músicas imitativas e conteúdos produzidos em escala para disputar receitas de streaming.
