Aos 18 anos, Vitão vive um início de trajetória no profissional do Atlético que nem ele imaginava. Zagueiro formado nas categorias de base do clube, o jogador ganhou espaço de forma repentina e teve a oportunidade de disputar dois clássicos contra o Cruzeiro. Em entrevista ao 98 Esportes nesta sexta-feira (4/9), ele falou sobre a sequência inesperada e celebrou as primeiras oportunidades com a camisa alvinegra.
Vitão começou a temporada entre as últimas opções para a zaga, mas as lesões de outros jogadores da posição abriram espaço para o jovem. Ele foi acionado nos dois confrontos com o Cruzeiro e participou da vitória do Atlético sobre o rival na Arena MRV.
“Eu não estava sendo relacionado, estava esperando minha oportunidade e, quando a gente vê, eu sou titular em um jogo, entro num clássico. Foi um começo que eu não esperava, realmente não esperava ser dessa forma, mas fiquei muito feliz com essas oportunidades”, afirmou.
O zagueiro destacou que a preparação mesmo quando não está entre os titulares foi fundamental para conseguir aproveitar a chance quando ela apareceu. Para Vitão, a oportunidade pode surgir a qualquer momento, especialmente em uma temporada marcada por lesões no elenco.
“Aquilo para mim é um sonho. Independente do jogo, independente da forma que a gente tiver que entrar, a gente tem que estar preparado, porque às vezes a oportunidade aparece assim, da forma que foi, e tem que tentar aproveitar da melhor forma”, disse.
Pressão nos clássicos
A entrada em um clássico pelo time profissional representa um desafio ainda maior para um jogador de apenas 18 anos. Mesmo assim, Vitão afirmou que procura manter a tranquilidade para conseguir tomar as melhores decisões dentro de campo.
No clássico mais recente, o defensor ainda passou por um momento de pressão ao cometer um pênalti sobre Caio Jorge. Segundo ele, o apoio dos companheiros ajudou a deixar o lance para trás e continuar concentrado na partida.
“São 90 minutos e, independente do que aconteça dentro do jogo, a gente tem mais tempo e tem como reverter a situação”, explicou.
A experiência dos companheiros também teve papel importante na adaptação de Vitão ao futebol profissional. O jogador citou Juan e Lyanco como alguns dos atletas que mais o orientaram desde que começou a treinar e atuar com o elenco principal.
“Todos os zagueiros, os da minha posição, me ajudaram para caramba. Todos conversaram comigo e me passaram confiança. O Ruan [Tressoldi], desde que chegou, desde o ano passado, sempre veio conversando comigo, sempre veio me ajudando. O Lyanco também sempre me passando dicas, me ajudando com meu posicionamento”, contou.
Diferenças entre a base e o profissional
Vitão também explicou o que mudou para ele ao deixar as categorias de base e começar a enfrentar jogadores mais experientes. Na avaliação do zagueiro, a principal diferença não está necessariamente na velocidade do jogo, mas na tomada de decisão.
“Os profissionais já têm costume de cortar caminho, de tomar as melhores decisões na hora certa. Às vezes o jogo na base é muito corrido, muito disputado, contra-ataque toda hora. No profissional, o jogo é muito mais cadenciado. Acho que essa talvez seja a maior diferença”, avaliou.
Além da preparação dentro de campo, o jovem conta com acompanhamento psicológico e nutricional. Para ele, o suporte é importante para lidar com a pressão e manter a confiança neste início de carreira.
“Esse acompanhamento nos fortalece cada vez mais. Cada ocasião, cada situação que a gente passa, eles nos ajudam, nos dão força e estão sempre com a gente”, afirmou.
Sonho de enfrentar Neymar
A sequência pelo Atlético também pode proporcionar a Vitão um dos momentos mais marcantes da carreira. O clube tem compromisso pela Copa Sul-Americana e o zagueiro foi questionado sobre a possibilidade de enfrentar Neymar.
A resposta revelou o lado torcedor do jovem defensor.
“Neymar é um ídolo para todo mundo. Tem aquela vontade de jogar contra ele. Acho que isso seria um dia muito especial, muito bacana para todo mundo. Neymar é um sonho, um sonho conhecer ele. Seria um dia marcante para a minha vida”, declarou.
Depois de começar a temporada sem espaço entre os relacionados, Vitão aproveitou as oportunidades que surgiram e ganhou protagonismo justamente em dois dos jogos de maior pressão do futebol mineiro. Aos 18 anos, o zagueiro agora busca transformar o início inesperado em uma sequência no time principal do Atlético.
