Fifa pretende vender ações de torneio oficiais, como a Copa do Mundo (Foto: Reproduçãi / UEFA)
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A Uefa ameaça boicotar a Copa do Mundo caso a Fifa leve adiante o plano de vender parte das ações de uma nova empresa responsável por explorar comercialmente suas principais competições. A informação foi divulgada pela Sky Sports nesta terça-feira (28/7), após a entidade máxima do futebol oficializar a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE).
A nova subsidiária terá controle majoritário da Fifa e ficará responsável pela gestão comercial de torneios como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A ideia é vender participações minoritárias para investidores privados, aumentando a arrecadação da entidade e, consequentemente, os repasses às federações nacionais.
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Uefa reage e fala em boicote
Segundo a emissora inglesa, as federações filiadas à Uefa já discutem um possível boicote à Copa do Mundo caso o projeto avance. Uma reunião virtual entre os membros da entidade está prevista para os próximos dias, com o objetivo de definir uma estratégia para tentar impedir a criação da empresa.
A preocupação dos europeus é ainda maior porque a Copa do Mundo de 2030 terá Espanha e Portugal entre as principais sedes do torneio.
Em nota oficial, a Uefa criticou duramente a iniciativa da Fifa e afirmou que a entidade ultrapassou um limite ao tentar negociar ativos comerciais do futebol.
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“Isso cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol nunca deveriam cruzar. A Uefa leva isso extremamente a sério. Toda Associação Nacional de Futebol também deveria. Todo stakeholder também: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos que se importam com o futuro do esporte.”
A entidade ainda completou:
“A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar — especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo.”
Clique aqui e veja a publicação da Uefa nas redes sociais.
Entenda o plano da Fifa
No comunicado divulgado nesta terça-feira, a Fifa informou que pretende criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que concentrará as operações comerciais e os direitos das principais competições organizadas pela entidade.
A expectativa é que a nova companhia seja avaliada em US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102 bilhões). Com isso, a Fifa pretende vender aproximadamente US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) em participações, mantendo o controle majoritário da empresa.
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Segundo a entidade, o dinheiro arrecadado permitirá aumentar significativamente os repasses às federações filiadas. A previsão é que cada associação passe a receber US$ 20 milhões (cerca de R$ 102 milhões) no ciclo entre 2027 e 2030. Atualmente, o valor previsto é de US$ 8 milhões (R$ 41 milhões), com crescimento gradual também nos ciclos seguintes.
De acordo com a Fifa, o investimento privado ajudará a ampliar o potencial de receitas com direitos de transmissão e patrocínios em todas as competições organizadas pela entidade.
Na prática, porém, a proposta representa uma abertura para investidores privados nos principais ativos comerciais da Fifa, cenário que provocou forte reação da Uefa e pode desencadear um dos maiores conflitos institucionais recentes do futebol mundial.