O atacante Neymar passou por exames após se apresentar à Seleção Brasileira e teve confirmada uma lesão muscular grau 2 na panturrilha. O diagnóstico acende um alerta na preparação para a Copa do Mundo, já que o quadro pode tirá-lo da estreia no torneio.
O prazo estimado de recuperação varia entre 2 e 3 semanas. Com isso, o jogador já está fora dos amistosos contra o Panamá (31/5) e o Egito (6/6), últimos testes da Seleção antes do Mundial.
Para entender a gravidade do problema, a 98 conversou com o especialista em fisioterapia esportiva e fisioterapeuta do Sada Cruzeiro, Alysson Zuin, que explicou como esse tipo de lesão é classificado e o que ela representa na prática.
Segundo o especialista, as lesões musculares costumam ser classificadas em níveis que vão de 0 a 4, com subdivisões que variam de acordo com a região do músculo afetado. De forma geral, o que define a gravidade é o tamanho do comprometimento das fibras musculares.
O grau 0 corresponde apenas a um inchaço, sem ruptura de fibras. Já o grau 1 envolve um pequeno dano, com ruptura mínima e área afetada limitada, geralmente de até 10% do músculo.
O grau 2, caso de Neymar, indica uma lesão mais significativa. Nesse estágio, o inchaço é mais evidente e pode haver rompimento de uma parte maior das fibras musculares, com extensão que pode chegar a cerca de 5 cm.
Diferença em relação ao edema informado pelo Santos
Na última semana, após a partida contra o Coritiba, pelo Brasileirão, o Santos informou à CBF que Neymar havia sofrido apenas um edema na panturrilha, o que, em um primeiro momento, não indicaria risco para os amistosos ou para a Copa do Mundo.
Após nova avaliação da entidade, no entanto, o cenário foi classificado como mais grave do que o inicialmente divulgado pelo clube.
Alysson Zuin explica que o próprio edema pode ter dificultado a leitura completa do exame inicial.
“As alterações musculares geram edema, podendo vir acompanhado de lesão da estrutura da fibra ou não. E o edema pode atrapalhar a visualização de detalhes do exame. Numa primeira análise, provavelmente só dava para ver o edema, e no exame seguinte já foi possível perceber melhor as alterações que levaram ao diagnóstico de grau 2”, explicou.
Segundo ele, não há necessariamente divergência entre as versões, mas sim momentos diferentes de avaliação.
“Os dois, CBF e Santos, poderiam estar falando a mesma coisa, mas com termos diferentes. Ambos estão certos, mas como a condução do caso ficou com a equipe da CBF, eles usam a classificação grau 2 para que a situação seja conduzida com cautela e exista a possibilidade de dispensa médica segundo os critérios da Fifa”, completou.