Uma viagem com cunho religioso e turístico acabou se transformando em uma surpresa negativa na vida de Andreia Coelho, personal trainer brasileira que vive momentos de tensão em Israel, em meio a bombardeios decorrentes da guerra entre Estados Unidos e Irã, que ganhou novos capítulos no último fim de semana.
Em entrevista à 98 News, nesta segunda-feira (2/3), Andreia deu detalhes sobre os momentos vividos em Jerusalém e contou que foi surpreendida por sirenes que alertavam para bombardeios na cidade.
“Acabei vindo para Israel por uma missão religiosa e para conhecer alguns lugares sagrados, como Nazaré e Jerusalém. No dia seguinte à minha visita a Jerusalém, acordei com a primeira sirene. Para mim, foi tudo muito novo, porque eu nunca tinha vivido isso, e o meu motivo aqui era espiritual. As coisas foram acontecendo de acordo com o protocolo. Eu já tinha baixado o aplicativo, porque, quando a gente chega ao país, é informado de que precisa baixar alguns aplicativos por precaução, embora ninguém imagine que vá usá-los. Então, eu já tinha mais ou menos uma noção do que deveria ser feito.”
“Quando o alarme toca, o protocolo é se dirigir a um quarto blindado, que existe na maioria dos prédios aqui em Israel, e se proteger. Esse quarto é feito especialmente para esse tipo de situação. Depois que a sirene tocou, fui para lá e encontrei pessoas locais, israelenses. Comecei, então, a ter um pouco mais de noção do que realmente estava acontecendo. As sirenes se intensificaram logo no início; nos primeiros dias, a tensão era muito maior. Você recebe uma notificação para ir ao abrigo e outra para sair. Ficamos entrando e saindo do abrigo praticamente o dia inteiro, com intervalos bem pequenos.”
De acordo com a brasileira, os primeiros dias foram marcados por intensa tensão. Com o passar do tempo, no entanto, ela afirma ter compreendido melhor a dinâmica local e que “o pânico passa”.
“Nos dias seguintes, você vai entendendo mais sobre o assunto. O pânico passa; você começa a compreender o que está acontecendo e ouve dos moradores como funciona a rotina. A vida segue, dentro de algumas limitações. Você aprende com o que está vivendo e elimina o excesso de informações que não são reais. O mundo lá fora tem uma impressão muito pior do que realmente é. A situação é ruim, é tensa, exige cuidados e o cumprimento dos protocolos. Mas a vida continua.”
Andreia explicou que alguns comércios de Tel Aviv não fecham, mesmo com o aviso de possíveis bombardeios. Ela citou um “mercadinho” próximo à casa onde está hospedada que, segundo relatos, “nunca fecha”.
Segundo ela, apesar da guerra, a vida no país segue normalmente em alguns locais. Pais brincam com os filhos em parquinhos, turistas visitam pontos históricos e alguns comércios mantêm o movimento. Para Andreia, a experiência tem sido um “grande aprendizado”.
“Ontem, por exemplo, os alarmes passaram a ter um intervalo maior, de cerca de seis horas, e hoje também. Isso me permitiu dar uma pequena volta na rua. Caminhei por duas horas; fui à Cidade Velha para conhecer melhor o país. Não tive tempo de conhecer Tel Aviv, porque comecei por Nazaré e Jerusalém. Consegui ter uma noção de como a cidade é linda, da sua história de três mil anos.”
“Vi muitos hotéis e restaurantes abertos, e os cafés estavam cheios nesses intervalos. As pessoas vão para a rua. Vi pais com crianças em parquinhos. Ou seja, a vida segue, apesar das restrições e dos protocolos que precisam ser cumpridos. Isso talvez faça de Israel um país tão seguro e de seu povo tão resiliente, porque conseguem conviver com o caos. Foi um grande aprendizado para mim.”
Mesmo assim, Andreia destacou que a situação no país ainda não se normalizou e que é preciso cuidado nas cidades. As sirenes, no entanto, têm apresentado intervalos maiores, o que permite uma situação “mais tranquila” em Israel.
“Hoje acordei às 7h com a primeira sirene. Geralmente, ela toca de manhã cedo. Depois, houve mais duas. Saí do abrigo duas ou três vezes e, após o meio-dia, houve um intervalo maior, período em que consegui passear pela cidade. Quando voltei, houve a primeira sirene da tarde. Tive duas depois que retornei do passeio. Não é que a situação tenha se normalizado; os intervalos estão maiores, mas ainda é preciso muito cuidado. A orientação é não se distanciar do abrigo e ficar atenta às notificações, porque elas podem ocorrer a qualquer momento.”
