Três meses depois de receber a autorização para implantar a primeira motofaixa de Belo Horizonte, a prefeitura ainda não tem uma data prevista para o início dos trabalhos. O custo total será de R$ 35 milhões de reais. A estrutura terá o objetivo de dar mais segurança aos motociclistas. Enquanto não entra em vigor, o número de acidentes explode na capital mineira. Somente nos primeiros seis meses deste ano, a média foi de duas ocorrências por hora. Mais de 40 pessoas perderam a vida.
A estrutura será instalada na Via Expressa, ao longo das avenidas Juscelino Kubitschek e Teresa Cristina, até a Avenida Babita Camargos, na divisa com Contagem, na região metropolitana. O projeto prevê 16 quilômetros de faixa exclusiva para motociclistas.
Antes da pintura das faixas, a prefeitura explicou que será necessário refazer o pavimento em toda a extensão do trecho contemplado e substituir integralmente as defensas metálicas. De acordo com o Executivo, as intervenções são necessárias para garantir a segurança dos motociclistas.
A motofaixa será posicionada entre a primeira e a segunda faixa de rolamento, a partir da esquerda da pista, com aproximadamente 1,5 metro de largura. As quatro faixas existentes em cada sentido serão mantidas, acompanhadas de nova sinalização horizontal e vertical. O trecho contemplado se estende do Viaduto Itamar Franco até a Avenida Babita Camargos.
Para atender às normas da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), a velocidade máxima da Via Expressa foi reduzida de 80 km/h para 60 km/h em junho de 2025, limite exigido para a implantação de motofaixas.
Acidentes
A implantação de motofaixas em BH surge como alternativa para tentar reduzir o número de acidentes com motociclistas na capital mineira. No primeiro semestre de 2026, o número de ocorrências com subiu, saindo de 10.218 para 10.649, alta de quase 10% em relação ao mesmo período do ano passado. Duas mortes a mais foram registradas, 42, contra 40 de janeiro a julho de 2025.
Alysson Coimbra, médico do tráfego e especialista em trânsito afirma que iniciativa pode trazer mais organização, mas não necessariamente reduz os acidentes com motos.
“O principal é a organização, a fluidez do trânsito, reduzindo principalmente aqueles conflitos laterais, esbarrar no carro, na porta, quebrar retrovisor. Mas verdadeiramente, ela (a motofaixa), de uma maneira isolada, não vai reduzir o número de acidentes, número de mortes, porque ela só traz organização, fluidez, direcionamento, maior respeito sim às normas gerais de circulação, mas não é uma garantia de reduzir o número de mortes, de ferimentos. É uma alternativa, mas que não pode carregar toda a responsabilidade de modificar esse cenário tão perigoso, tão desafiador”, destacou.
Na Via Expressa, local em que as faixas exclusivas serão sinalizadas, foram 62 acidentes contabilizados. Os dados são do Observatório do Trânsito.
