A Justiça condenou um homem a pagar R$ 10 mil por danos morais após ofender uma mulher com uma frase de cunho racista dentro de um elevador em Belo Horizonte. A decisão foi proferida pela 1ª Unidade Jurisdicional Cível da comarca da capital e homologada pela juíza Bianca Martuche Liberano Calvet.
Segundo o processo, o acusado abordou a vítima no elevador de um prédio e ofereceu a ela um serviço de faxina. Após a mulher recusar a proposta, afirmando que não tinha tempo disponível, o homem respondeu com a frase: “Quando seu pai veio da África ele não tinha horário de almoço e descanso”.
Justiça reconhece cunho racista
Na sentença, o juiz leigo Guilherme Luiz de Souza Pinho considerou que a fala teve “acentuado cunho racista”, ao fazer referência direta ao período da escravidão.
De acordo com o magistrado, a declaração teve a intenção de sugerir que a vítima, por causa da cor da pele, não deveria reclamar de trabalhar aos finais de semana, comparando sua situação à de pessoas escravizadas.
Testemunha confirmou a ofensa
O réu negou ter feito a declaração e afirmou que não havia provas do episódio. Ele alegou ainda que, caso o fato tivesse ocorrido, teria sido registrado pelas câmeras do prédio.
No entanto, a decisão levou em consideração o depoimento de uma testemunha que estava no local.
Segundo o morador do edifício, que havia se mudado recentemente para o prédio, tanto ele quanto a vítima ficaram “em choque” após a fala.
Com base nos depoimentos e no contexto do episódio, a Justiça determinou o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil.
