O Banco Central instaurou uma investigação interna para apurar possíveis falhas nos procedimentos de fiscalização e no processo de liquidação do Banco Master, instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro. A sindicância, conduzida sob sigilo pela corregedoria da autoridade monetária, foi determinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, no fim do ano passado, em meio à repercussão do caso envolvendo o banco. As informações são do jornal O Globo.
No contexto do avanço da apuração, dois dirigentes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) deixaram seus cargos: Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza. Até o momento, não há acusações formais contra os ex-integrantes da área técnica. Em nota, o Banco Central afirmou que “a alternância de nomes em cargos comissionados é uma prática normal no âmbito da administração pública”.
Paulo Sérgio Neves de Souza, servidor de carreira do BC, foi o primeiro a deixar a função. Ex-diretor de Fiscalização, ele autorizou a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, operação que resultou na criação do Banco Master. Mais recentemente, ocupava o cargo de chefe-adjunto do Desup, com atribuição de acompanhar a solidez e a estabilidade do sistema financeiro.
Em seguida, Belline Santana deixou a chefia do Departamento de Supervisão Bancária. Ele chegou a ser cotado para assumir a diretoria de Fiscalização, atualmente ocupada por Aílton de Aquino Santos. Belline assinou diversos ofícios e despachos do Banco Central encaminhados ao Ministério Público Federal relacionados ao Banco Master.
Um desses documentos foi citado pela defesa de Daniel Vorcaro em manifestações à Justiça. No ofício, Belline relata que uma operação considerada suspeita, envolvendo a compra de carteiras fictícias de crédito pelo Banco Master no fim de 2024, foi desfeita no início de 2025. Em outro trecho, o documento aponta que o Banco Central não identificou indícios de irregularidades em transações de crédito consignado originadas pela própria instituição.
