Ao menos 24 tipos de vírus, incluindo dengue, zika, herpes e coronavírus humano, foram transportados após serem furtados de um laboratório da Universidade Estadual de Campinas.
O caso veio à tona nesse domingo (29/3), após reportagem do Fantástico, e envolve material de alta contenção biológica retirado do Instituto de Biologia da universidade.
Material incluía vírus humanos e de animais
Segundo as investigações, entre as amostras levadas estão cepas relacionadas a:
- dengue
- chikungunya
- zika
- herpes
- Epstein-Barr
- coronavírus humano
Além disso, havia pelo menos 13 tipos de vírus que infectam animais.
Professora é investigada e chegou a ser presa
A pesquisadora Soledad Palameta Miller foi presa em flagrante pela Polícia Federal no dia 23 de março, suspeita de envolvimento no furto. Ela foi liberada no dia seguinte, mas segue sob medidas cautelares, como:
- proibição de acessar laboratórios ligados à investigação
- restrição para deixar o país sem autorização judicial
A Polícia Federal também investiga possível participação do marido da docente.
Vírus foram levados para outros laboratórios
De acordo com documentos da Justiça Federal, o material foi encontrado em diferentes locais, incluindo freezers de outros laboratórios, áreas não autorizadas e lixeiras, após manipulação. As investigações indicam que houve movimentação irregular das amostras, inclusive com acesso a espaços onde a pesquisadora não tinha autorização formal.
Risco à saúde é apontado por autoridades
Segundo a Polícia Federal, a manipulação e o armazenamento inadequados de material biológico sensível representam risco direto à saúde pública.
“O manuseio fora de protocolos de biossegurança configura exposição da saúde de terceiros a perigo direto e iminente”, aponta o termo judicial.
Furto ocorreu em área de alta segurança
O desaparecimento foi identificado no dia 13 de fevereiro, em um laboratório classificado como NB-3, nível que exige rigorosos protocolos de contenção biológica.
A partir disso, a investigação aponta que o furto ocorreu em um curto intervalo de tempo e de forma concentrada.
Investigações seguem em andamento
O material foi recuperado e encaminhado para análise pelo Ministério da Agricultura. Os investigados podem responder por:
- furto qualificado
- fraude processual
- transporte irregular de organismo geneticamente modificado
A universidade informou que abriu sindicância interna e afirmou que colabora com as autoridades.
