Belo Horizonte registrou nesta terça-feira (29/9) o dia mais quente do ano, chegando a 36,6 graus. A medição ocorreu às três da tarde, na região da Pampulha, segundo o Inmet. No mesmo horário, a umidade relativa mínima do ar chegou a 17%, nível registrado também pela estação.
As altas temperaturas já interferem no comportamento dos consumidores e também mudam a rotina de estabelecimentos comerciais da capital.
Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), bares e restaurantes podem ser beneficiados pela procura por ambientes mais frescos e bebidas geladas. Já estabelecimentos que tradicionalmente trabalham com produtos quentes precisam adaptar a oferta para acompanhar a mudança nos hábitos dos clientes.
Um exemplo é o Café Pingado, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Para acompanhar a mudança na procura dos consumidores, a cafeteria passou a oferecer café gelado no cardápio.
“Nesse final de semana a gente sentiu bastante impacto do calor, principalmente no domingo. Cerca de 80, 90% das bebidas que saíram foram bebidas geladas. O mineiro ama o café raiz, escuro, quente, mas hoje em dia nós temos diversas opções de café. Café gelado com leite, café gelado harmonizado com vários tipos de xarope”, conta Flor Barbosa, sócia do estabelecimento.
O impacto das altas temperaturas também é percebido pelo comércio de forma mais ampla. De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, o calor intenso pode reduzir a circulação de consumidores nas lojas físicas e aumentar a procura por compras pela internet.
A mudança no comportamento também pode elevar a demanda por produtos usados para enfrentar as altas temperaturas, como ventiladores e aparelhos de ar-condicionado.
“O brasileiro não é acostumado com esse calorão, Belo Horizonte muito menos. Isso provoca todo esse movimento diferenciado no comércio, as pessoas indo menos as lojas físicas e as pessoas também procurando mais produtos é para se seu bem-estar”, explica Marcelo de Souza e Silva.
E se o calor muda o comportamento de quem sai às compras, dentro de casa as altas temperaturas também podem ter impacto no orçamento. Com os termômetros elevados, o ar-condicionado tende a permanecer ligado por mais tempo, aumentando o consumo de energia elétrica. Segundo o coordenador de Energia da FIEMG, Sérgio Pataca, o uso prolongado do equipamento pode representar um impacto significativo na conta de luz.
“Uma residência que tem um ar-condicionado, se deixar ele ligado, a gente calcula numa média de aumento até de 40%.”
A expectativa é de que esses efeitos continuem enquanto as temperaturas permanecerem acima da média nos próximos dias, com reflexos tanto nos hábitos de consumo quanto na rotina de estabelecimentos comerciais e no uso de energia em residências.
