Logo após subir ao palco no segundo dia do Leader Shift 2026, nesta quarta-feira (10), no Minascentro, em Belo Horizonte, o nadador Thiago Pereira — maior medalhista dos Jogos Pan-Americanos e medalhista olímpico — conversou com a 98 News. Radicado em Minas desde 2002, quando chegou ao Minas Tênis Clube ainda adolescente, ele defendeu que o mundo do esporte e o corporativo se aproximam em pontos como disciplina, resiliência e capacidade de adaptação.
Do esporte ao mundo corporativo
Para Thiago, lidar com vitórias e derrotas é um aprendizado que serve a qualquer equipe — e não só a quem lidera. “O líder tem que lidar com a derrota, e a pessoa que ele lidera também. No final das contas, olhando como um time, o time inteiro perde”, afirmou. Ele destacou ainda o papel do esporte na saúde mental, em um cenário marcado por ansiedade, depressão e burnout. “Se você for a um psiquiatra, a primeira coisa que ele vai mandar é praticar esporte antes de tomar remédio. É a maior ferramenta que temos para saúde e educação”, disse, lembrando que a prática ensina tanto a ganhar quanto a perder.
“Não estou te contratando como o cara do seguro”
O atleta contou uma história que, para ele, resume o que as empresas podem ganhar com quem vem do alto rendimento. Hoje diretor de novos negócios em uma corretora de seguros corporativos, Thiago relatou que foi convidado para o cargo de forma inusitada, depois de apenas apresentar um amigo do setor ao CEO da companhia. “Ele me disse: ‘Não estou te contratando como o cara do seguro. Estou te contratando pelo que você fez na sua carreira de 20 anos de resiliência até ganhar a medalha olímpica. Isso eu não ensino para ninguém'”, recordou. Para o nadador, mais empresas deveriam enxergar o esporte como formação e abrir espaço para atletas.
Reinvenção e IA: quem se adapta mais rápido
Tema central do evento, a inteligência artificial também entrou na conversa — a partir da própria reinvenção que Thiago viveu ao deixar as piscinas. Segundo ele, líderes e gestores precisarão trilhar o mesmo caminho, encarando a tecnologia como aliada. “O medo faz parte, o novo dá medo”, reconheceu. Mas, para ele, travar é o maior risco: “Quem se dá melhor na vida não é o mais rico, nem o mais bonito — é quem se adapta mais rápido à situação”. O atleta comparou a resistência atual à desconfiança do passado: “Quem fala ‘isso não vai dar nada’ é o mesmo que disse que o celular não ia dar certo. Ou a gente se atualiza, ou fica preso, estagnado”.
Esporte como ferramenta social
Thiago aproveitou para falar de um projeto pessoal: um instituto em Volta Redonda (RJ) que atende cerca de 350 crianças por meio da lei de incentivo ao esporte e que prepara expansão para São Paulo. Para ele, transformar essa realidade depende de uma rede. “Quando me perguntam qual é a saída para o esporte, falta investimento e falta comunicação entre todos. É difícil, mas não é impossível. Alguém tem que ser o primeiro; depois, vai o bonde”, afirmou.
