O segundo dia do Leader Shift 2026 começou nesta quarta-feira (10/6), no Minascentro, no centro de Belo Horizonte, com 11 painéis previstos entre palestras e debates no palco principal. A abertura ficou por conta do antropólogo Michel Alcoforado, que falou sobre as relações de consumo e seus reflexos no dia a dia das empresas. Media partner oficial do evento pelo segundo ano consecutivo, a 98 News conversou com exclusividade com Aluísio Ferreira, head de geração de demanda da Sólides, sobre os destaques da jornada.
Inspiração e técnica no mesmo palco
Para Aluísio, a grade de 2026 equilibra motivação e aplicação prática. Ele citou nomes como o medalhista olímpico Thiago Pereira e o tetracampeão mundial de paracanoagem Fernando Fernandes — responsável por encerrar o dia — como exemplos de histórias de superação que se convertem em lições de liderança. Já a abertura com Michel Alcoforado, segundo ele, ajuda os gestores a entender o país em que atuam. “É muito difícil você liderar sem ter essa consciência social do que acontece na realidade brasileira, porque é com isso que a gente vai lidar. A gente vai lidar com pessoas”, afirmou.
“A IA não veio para roubar empregos”
Um dos temas centrais do evento, a inteligência artificial foi apresentada como aliada, e não como ameaça. Aluísio defendeu que o primeiro passo é enfrentar o medo. Ele lembrou um ponto levantado na véspera pela CEO da Sólides, Mônica Hauck: toda grande revolução tecnológica teve um pico de medo e de resistência antes da adoção — seguido de um salto de produtividade. “Desde a Revolução Industrial houve o medo de a tecnologia roubar o nosso emprego, mas o que aconteceu, na verdade, foi a criação de mais empregos”, disse.
Para o executivo, os postos de trabalho vão se transformar, mas isso não significa redução de mão de obra. “Os empregos vão mudar, já estão mudando, mas não necessariamente teremos uma redução do volume de trabalho necessário com a chegada da IA”, explicou. Ele acrescentou que cabe à liderança estimular o uso da tecnologia — e, antes, compreender a insegurança das equipes. “Existe um medo dos liderados em adotar isso, porque pensam: ‘poxa, eu estou ajudando a acabar com o meu emprego’. A gente tem que entender esse medo para conseguir contornar”, completou.
Cultura como instrumento de performance
Outro tema que, segundo ele, saiu dos palcos para as conversas de corredor foi a cultura organizacional. “Cultura antes era tida como papo de RH, algo que ficava dentro daquela sala ou escrito de forma bonita na parede das empresas”, comparou. Para Aluísio, o conceito precisa virar prática: “Se o líder não entende que a cultura é um instrumento de performance e não traz isso para o dia a dia, essa cultura não vira, e a empresa é prejudicada em termos de resultado”.
O que ainda vem pela frente
A programação desta quarta segue pela manhã com debates sobre autonomia das equipes, uso de dados na tomada de decisão e os desafios do futuro das organizações. À tarde, é a vez de André Carvalhal, referência nacional em inovação e propósito, com a palestra “O futuro chegou, e agora?”.
