O especialista em segurança de voo pelo ITA e professor da PUC Minas, Kerley Oliveira, analisou o acidente aéreo ocorrido no início da tarde desta segunda-feira (4/5), em Belo Horizonte. Segundo o especialista, as imagens sugerem que a aeronave perdeu potência e altura de forma abrupta antes de atingir um edifício. Para Oliveira, o piloto parece ter tentado uma manobra de emergência em busca de um local propício para o pouso, mas não obteve sucesso.
Kerley Oliveira destacou que, após o socorro às vítimas, o trabalho dos investigadores do Cenipa funciona como a montagem de um “grande quebra-cabeça”. O processo envolve o recolhimento de destroços e a análise técnica de instrumentos para entender o que levou à queda. “Precisamos investigar para saber realmente o que levou a essa queda tão fora de contexto”, afirmou o professor.
Entenda o que aconteceu
Um avião de pequeno porte caiu na Rua Ilacir Pereira Lima, no bairro Silveira, região Nordeste da capital, por volta das 12h25. A aeronave atingiu um imóvel e ficou pendurada na garagem de um prédio, provocando o isolamento do quarteirão devido ao risco de explosão por vazamento de combustível. O Corpo de Bombeiros confirmou que o local já foi neutralizado e a Defesa Civil avaliará os danos estruturais ao prédio.
Segundo o CBMMG, o avião levava cinco pessoas a bordo, sendo confirmados os óbitos do piloto e do copiloto por volta das 13h21. Não há registro de feridos entre os moradores do edifício atingido. As autoridades agora aguardam a chegada dos órgãos de investigação aeronáutica para a retirada dos destroços e o início da perícia oficial no local do impacto.
Fator humano nas estatísticas
Ao explicar as possíveis causas de tragédias aéreas, Oliveira ressaltou que a maioria dos casos envolve o fator humano. “Estatisticamente, dentro de todas as investigações feitas no mundo, em média 80% dos acidentes têm o fator humano como contribuinte principal”, explicou. No entanto, ele ponderou que um acidente nunca possui uma causa única, mas sim uma série de fatores que se somam no tempo e no espaço.
Por fim, o especialista reforçou que ainda é prematuro apontar se houve falha mecânica ou erro de pilotagem neste caso específico. Ele orienta que o público aguarde o trabalho pericial detalhado, que confrontará dados de manutenção com a performance da tripulação. Dessa forma, a investigação buscará evitar que novos episódios semelhantes ocorram em áreas urbanas densamente povoadas.
