O consumidor encontrará produtos de Páscoa mais caros em 2026 devido à instabilidade no mercado global de cacau. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), chocolates em barra e bombons acumulam alta de 24,77% em 12 meses, reflexo de problemas climáticos e doenças em lavouras da África Ocidental que reduziram a oferta da matéria-prima.
Estoques caros impedem queda imediata nos preços
Embora a cotação internacional do cacau tenha registrado queda superior a 60% no início de 2026, o alívio ainda não chegou ao varejo. Isso ocorre porque a indústria fabricou os produtos sazonais com insumos adquiridos durante o pico de valorização da commodity em 2025.
Matheus Pedrosa, CEO da Fralía e presidente do Conselho de Tecnologia e Inovação da FIEMG, explica que a alta histórica iniciada no final de 2024 gerou um impacto severo. “Os altos preços permaneceram ao longo de 2025, gerando uma grande destruição da demanda”, afirma Pedrosa.
Impacto no setor de panificação e alternativas
Nas padarias, o reajuste nos itens de chocolate deve variar entre 20% e 30%. Para manter as vendas, o setor aposta em produtos alternativos e composições com menor custo de produção.
Vinícius Dantas, presidente do Sindicato da Panificação, destaca que as empresas estão diversificando o portfólio. “Muitas padarias têm ampliado o portfólio com produtos alternativos à base de chocolate, como bolos temáticos, kits personalizados e a tradicional colomba pascal”, pontua o empresário.
Produção em Minas Gerais e exigências técnicas
A legislação brasileira exige o mínimo de 25% de sólidos de cacau para que um produto seja classificado como chocolate, o que pressiona os custos industriais. Em Minas Gerais, a produção ganha fôlego com o cultivo no Norte do estado, integrando o setor a indústrias de lácteos, sorvetes e confeitos.
Além dos custos, a logística é um desafio extra. Ovos de Páscoa exigem controle rigoroso de temperatura, demandando cuidados específicos na exposição e comercialização para evitar perdas em períodos de calor.
Qualificação profissional para reduzir desperdícios
Com a matéria-prima valorizada, a eficiência produtiva tornou-se estratégica para a indústria. O SENAI Lagoinha atua na formação de mão de obra qualificada para otimizar o uso de insumos e reduzir desperdícios no setor de alimentos.
Ricardo Alexandre, gerente do SENAI Lagoinha, observa que a busca por capacitação cresceu entre empreendedores e indústrias. “As empresas buscam profissionais capacitados e muitas vezes faltam trabalhadores qualificados no mercado para atuar no setor. O SENAI tem justamente o papel de profissionalizar essa mão de obra”, ressalta Alexandre.
