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Dólar vai a maior nível desde 30 de março com piora na perspectiva sobre guerra

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Agência Estado

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  • 08/06/2026
  • 19:11

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A busca por proteção global esvaziou a realização de lucros da abertura e impulsionou a divisa norte-americana frente ao real. ( Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

A busca por proteção global esvaziou a realização de lucros da abertura e impulsionou a divisa norte-americana frente ao real. ( Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

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O dólar à vista seguiu em alta firme ante o real no período da tarde desta segunda-feira, 8, e fechou no maior nível desde 30 de março de 2026, com investidores retomando posições defensivas diante da leitura de que o cessar-fogo no Oriente Médio, violado no final de semana, é frágil. Além disso, o payroll forte na semana passada segue guiando a aposta de que os Estados Unidos devem manter juros em nível elevado por mais tempo, o que prejudica a montagem de operações de carry trade, enquanto ganha força a tese de que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem menos espaço para cortar juros.

Após ceder a até R$ 5,1335 (-0,46%) perto da abertura, em movimento de realização de lucros depois da alta de 2,72% acumulada na primeira semana de junho, a moeda americana voltou a ganhar força e atingiu R$ 5,1951 (+0,73%) na máxima ainda pela manhã.

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Por fim, fechou em alta de 0,45%, a R$ 5,1803, no segmento à vista. Por volta das 17h, o contrato futuro para julho avançava 0,19% (R$ 5,2100), destoando da leve baixa de 0,06% do índice DXY, que mede a divisa norte-americana ante pares fortes.

O mercado amanheceu com novos relatos de ataques mútuos entre Irã e Israel. Por mais que o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha defendido um cessar-fogo e o Irã tenha dito que suspendeu as operações contra Israel, a sensação predominante entre os investidores é de maior incerteza e descrença quanto a um ponto final definitivo na guerra. O Irã mesmo advertiu que voltará a agir caso ocorram novos ataques israelenses contra o Líbano.

“Parte relevante do estresse no câmbio é o conflito no Oriente Médio”, resume o economista Guilherme Souza, da Ativa Investimentos.

O economista-chefe da Nomos, Beto Saadia, considera que o mercado financeiro está pessimista mesmo que ocorra um acordo entre EUA e Israel com o Irã, que demonstrou ter um poder de barganha grande envolvendo o Estreito de Ormuz. “Estamos vendo cenário provável de que o Irã entre com uma espécie de pedágio em relação ao Estreito e tenha poder de barganha para enriquecimento de urânio no futuro”, vislumbra. Neste cenário, o petróleo Brent para agosto avançou 1,25%, a US$ 94,25 por barril

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Adicionalmente, tanto Souza quanto Saadia relembram que a criação de vagas acima do esperado no payroll de maio, divulgado na sexta-feira, endossa a premissa de que parte do mercado espere alta de juros pelo Fed ainda em 2026.

“Se houver mesmo aumento de juros pelos EUA, investidores tendem a ter preferência por Treasuries americanas, por questão de confiança”, crava o economista da Ativa Investimentos, acrescentando que existe ainda muita incerteza em relação ao que vai acontecer na política monetária brasileira, o que abre espaço para desvalorizar ainda mais o real.

Na mesma linha, o Société Générale destacou, em relatório assinado por Kenneth Broux, que “a reversão do carry trade pode prejudicar ainda mais a moeda brasileira se o sentimento de risco piorar após a forte correção nas ações dos EUA, impulsionada pelo relatório de empregos da semana passada”.

Saadia afirmou que o payroll foi um ‘game changer’, com parte do mercado financeiro inclusive falando na volta do chamado excepcionalismo americano. “Toda a diversificação global que se vinha falando desde o ano passado pode estar indo por água abaixo”, afirma.

Bolsa

O Ibovespa voltou a fechar no menor nível desde o fim de janeiro, em meio ao ajuste das expectativas para os juros no Brasil e à busca do investidor estrangeiro por outros emergentes com maior potencial de alta. A incerteza sobre os próximos capítulos da guerra no Oriente Médio também aumenta a aversão ao risco e pressiona a renda variável, ainda que favoreça a alta do petróleo e de ações do setor na B3.

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O principal índice da Bolsa brasileira caiu 0,21%, aos 168 668,72 pontos – menor nível de fechamento desde 20 de janeiro, quando terminou o pregão a 166.276,90 pontos. O volume de negócios atingiu R$ 20,697 bilhões.

A maior contribuição positiva para o índice veio de Weg (WEGE3 +3,63%, +0,10 ponto porcentual), seguida pela ação preferencial da Petrobras (PETR4 +0,81%; +0,06 pp). Na outra ponta, ficaram Vale (VALE3 -0,80%, -0,09 pp) e Itaú Unibanco (ITUB4 -0,80%, -0,07 pp).

Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o movimento ocorre em um ambiente de saída de recursos externos. “Pegamos bastante saída de capital”, afirma. “Hoje amanhecemos com o Focus trazendo revisões para cima em Selic, câmbio e IPCA, e com a percepção de risco-Brasil aumentando”, diz.

A economista-chefe da InvestSmart, Mônica Araújo, reforça o papel do fluxo estrangeiro na formação de preços e diz que o investidor externo tem reduzido a exposição à Bolsa brasileira. Essa mudança decorre da percepção de que o espaço para cortes de juros diminuiu.

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Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, aponta receios dos investidores com inflação e juros mais altos, além de incertezas no horizonte político. Segundo Tavares, a percepção que havia no começo de 2026, de que o ano terminaria melhor do que começou, “se inverteu”.

Araújo aponta que houve “uma realocação global para tecnologia” e que o Brasil tem pouca exposição direta a esse tema, o que também contribui para que o mercado local fique de lado, após a realização de parte dos ganhos acumulados no início do ano.

“Neste momento, outros países emergentes estão sendo os ‘queridinhos’ da vez”, diz Teles, citando como exemplo a Coreia do Sul. O Kospi, principal índice acionário do país, acumula alta de 74% em 2026, com boa parte do avanço ocorrido desde o início de abril. No mesmo intervalo o Ibovespa perdeu valor, e passou a acumular alta de pouco menos de 5% neste ano.

Tavares afirma que, na comparação entre emergentes, o Brasil “fica um pouco atrás” de mercados como África do Sul e Chile, que, segundo ele, “estão fazendo o dever de casa”, em particular no âmbito fiscal, e se beneficiando dessa realocação.

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Juros

Os juros futuros fecharam em alta firme nesta segunda-feira, 8.

Pela manhã, as taxas caíram em movimento visto como um ajuste técnico após a disparada na sexta-feira, viabilizado pelo anúncio de suspensão dos ataques do Irã a Israel e na contramão da alta do dólar e do petróleo. À tarde, a percepção sobre o conflito no Oriente Médio voltou a piorar, esvaziando a correção dos excessos. As taxas passaram a subir com força, em meio ainda à continuidade da reprecificação das apostas para a Selic, com a curva já apontando chance de alta para o segundo semestre.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que captura a sensibilidade do mercado para as reuniões do Copom em 2026, subiu a 14,515%, de 14,295% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2029 encerrou taxa de 14,94%, ante 14,82% no ajuste anterior. O contrato para janeiro de 2028 projetava taxa de 14,89%, de 14,37%. A taxa do DI para janeiro de 2031 avançou de 14,44% para 14,82%.

Os mercados voltaram do fim de semana sob o impacto dos ataques mútuos entre Israel e Irã, mas pouco antes da abertura na B3 o anúncio da suspensão das operações militares iranianas abriu espaço para correção de parte do expressivo avanço da sessão anterior, quando dados forte do payroll nos EUA espalharam a aversão ao risco. As taxas passaram a cair, mesmo com o câmbio pressionado e piora das estimativas de inflação e Selic na pesquisa Focus.

“O comportamento das taxas pela manhã foi nada mais do que uma devolução da grande amplitude do movimento da sexta-feira. Um ajuste que durou pouco”, avaliou a economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa, para quem o clima de incerteza no exterior e o ceticismo com a política monetária tornam a trajetória de alta das taxas futuras a “tendência natural”.

Para Rodrigo Franchini, especialista de Soluções de Investimentos na Monte Bravo, as taxas estavam bem comportadas após o anúncio do Irã, mas começaram a surgir no começo da tarde informações que esfriaram a ideia de cessar-fogo. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse estar suspendendo os ataques ao Irã por enquanto, mas reforçou que o Irã e o Hezbollah estão “mais fracos do que nunca” e que a guerra não acabou. Ainda, o governo iraniano teria suspendido as operações nos principais aeroportos de Teerã em meio à intensificação do confronto com Israel.

“Esse rumor trouxe mais volatilidade. Porque poderia ser interpretado como uma busca de Israel para influenciar as negociações de paz, desafiando os Estados Unidos no cessar fogo. Como ainda não foi confirmado, o mercado tira o pé de risco”, explicou Franchini.

As taxas subiram principalmente nos vértices mais curtos, como por exemplo o DI para janeiro de 2028, que abriu mais de 20 pontos-base. Segundo o economista-chefe do BMG, Flávio Serrano, a curva aponta Selic terminal de 14,80% em 2026. A chance de manutenção da taxa em junho já está em 70%, contra 30% de redução de 25 pontos-base. Os DIs mostram ainda aperto a partir de setembro até março, chegando a 15,10%.

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