Nesta sexta-feira (10/3), o mercado financeiro brasileiro registrou marcas significativas. O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,12%, atingindo 197.323 pontos, o maior nível de sua história. Paralelamente, o dólar comercial recuou 1,03%, cotado a R$ 5,01, atingindo o menor patamar em quase dois anos.
O otimismo foi sustentado pelo cenário internacional, especialmente pela expectativa de negociações entre Estados Unidos e Irã, o que reduziu a aversão ao risco global. No entanto, especialistas apontam que fatores estruturais internos e a posição estratégica do Brasil no mercado de commodities foram fundamentais para esse desempenho.
O diferencial brasileiro: Juros e Petróleo
Para o economista Gustavo Andrade, a valorização do real é explicada por um “diferencial de juros muito relevante”. “Você tem um gap contra o juro real americano muito grande, então isso favorece muito carry”, afirmou.
Além dos juros, a condição do Brasil como “exportador líquido de petróleo” coloca a moeda brasileira como a melhor entre os mercados emergentes. Segundo Andrade, a alta nos preços do petróleo melhora os termos de troca e as contas externas do país, funcionando como um “porto seguro” que ancora o câmbio e minimiza choques de oferta. O país também se beneficia de um cenário de segurança energética e alimentar em um momento de instabilidade global.
Bolsa movida por investidores estrangeiros
A quebra de recorde do Ibovespa, segundo a Gustavo Andrade, é um movimento “100% baseado em fluxo” vindo do exterior. Andrade observa que o investidor estrangeiro tem sido o único comprador marginal relevante, ocupando o espaço deixado pelos investidores institucionais locais.
Apesar do entusiasmo, o economista recomenda cautela. Ele ressalta que a alta recente da bolsa ocorre por “expansão de múltiplo”, ou seja, o preço das ações sobe sem que haja uma revisão proporcional nos lucros esperados das empresas. Além disso é preciso ter atenção “a volatilidade cambial inerentemente em períodos eleitorais, que ainda não começou a fazer preço […] Tudo que importa agora é meio que discussão de curto prazo dos Estados Unidos e Irã”, finalizou.
