O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que não pretende conduzir de forma apressada a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Segundo Motta, o tema exige cautela e análise dos impactos antes de qualquer decisão.
A declaração foi feita nesta terça-feira (17/3), em Brasília, em meio ao avanço de propostas que tratam da mudança na jornada de trabalho. O parlamentar defendeu que o debate ocorra por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o que, segundo ele, garante mais tempo para discutir a medida e buscar consenso entre os diferentes setores envolvidos. “Não vamos conduzir esse debate de maneira atropelada, sem medir as consequências”, disse.
Motta também destacou a necessidade de ouvir representantes da economia para avaliar possíveis efeitos da mudança, especialmente em relação ao mercado de trabalho e ao desempenho econômico do país.
O que diz a Fiemg
Em abril do ano passado, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) realizou um estudo que apontou que o fim da jornada de trabalho na escala 6×1 no Brasil pode estagnar a produtividade e, consequentemente, reduzir os salários dos trabalhadores, ao invés de gerar empregos de qualidade.
Segundo a entidade, caso a escala 6×1 seja encerrada, o país ficaria atrás no cenário internacional em termos de produtividade: entre 1994 e 2024, a taxa de crescimento global foi de 2,1%, enquanto no Brasil ficou em 0,9%. O estudo projeta que até 18 milhões de empregos poderiam ser perdidos, com redução de até R$ 480 bilhões na massa salarial. Mesmo em um cenário de aumento modesto de 1% na produtividade, a perda de empregos poderia atingir 16 milhões, com impacto de R$ 428 bilhões na renda dos trabalhadores.
