A falta de diesel em lavouras de Minas Geraisjá preocupa produtores rurais em pleno período de colheita. Além da alta no preço do combustível, relatos de escassez no mercado começam a surgir em diferentes regiões do estado.
A pedido da Rede 98, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG) traçou um panorama sobre o cenário no campo.
A escassez de diesel ocorre em um momento sensível para o setor, já que o excesso de chuvas atrasou a colheita em diversas regiões.
Agora, com a abertura de janelas de clima favorável, a falta de diesel nas lavouras pode reduzir a eficiência das operações e impactar diretamente o volume produzido, principalmente nas lavouras de grãos e de cana-de-açúcar.
Falta de diesel pode afetar colheita no campo
O gerente de Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Rafael Rocha, explica como a escassez do combustível pode comprometer o trabalho no campo.
“Se, neste momento em que temos a oportunidade de colher, houver escassez de diesel, isso pode comprometer seriamente a eficiência da colheita. As consequências vão muito além do aumento nos custos de produção, podendo afetar diretamente a colheita da safra e a produção agrícola como um todo.”
Segundo ele, as colheitas mais sensíveis ao problema são justamente as de grãos e de cana-de-açúcar, em que o custo das operações tem grande peso no resultado final.
“A alta do diesel, observada desde o início da guerra, sem dúvida vai impactar os custos de produção do produtor. Estamos em um momento de colheita, especialmente de grãos e cana, em que o custo da operação tem grande representatividade. Com os aumentos recentes, o impacto tende a ser negativo, apertando ainda mais as margens do produtor. No caso dos grãos e da cana-de-açúcar, as margens neste ano já estão cada vez mais estreitas”, afirma.
Alta dos fertilizantes também preocupa produtores
Além da preocupação imediata com a safra atual, o setor também monitora a alta no preço dos fertilizantes nitrogenados, que já acumulam aumento superior a 35% neste ano e podem impactar o planejamento da próxima safra.
“O mundo como um todo — e o Brasil em particular — é altamente dependente de adubos nitrogenados provenientes dessa região, que já vinham registrando aumentos desde o início do ano. Com a guerra, essa alta foi ainda mais intensificada. Além dos problemas para a colheita da safra neste momento, o produtor já começa a se preocupar também com o planejamento do plantio da próxima safra.”
O encarecimento dos insumos, intensificado pela guerra e pela dependência brasileira de produtos importados, também pressiona o planejamento do plantio da próxima safra.