O mercado de telecomunicações no Brasil vive uma nova fase de consolidação, com grandes operadoras ampliando a compra de provedores regionais. A avaliação é do advisor de M&A Roberto Valverde, que aponta um cenário de aquecimento no setor em 2026.
Segundo ele, o movimento retoma uma dinâmica já observada entre 2020 e 2021, mas agora com foco mais estratégico e seletivo.
“O setor está voltando a aquecido. A primeira onda de aquisições foi entre 2020 e 2021, com empresas se preparando para ir à bolsa. Agora, grandes operadoras estão se posicionando para comprar provedores médios e pequenos”, afirma.
Guerra por clientes impulsiona compras
De acordo com Valverde, a disputa por mercado tem levado grandes empresas a buscar expansão por meio de aquisições.
“Existe uma guerra de penetração no mercado para quem já se posicionou com uma boa carteira de clientes e principalmente com a tecnologia de fibra”, explica.
Ele destaca que esse movimento ocorre mesmo em um cenário de juros elevados, o que reforça o interesse estratégico no setor.
Pressão sobre provedores regionais
A consolidação também aumenta a pressão sobre provedores locais, que disputam espaço com grandes operadoras e novas tecnologias, como internet via satélite.
“É primeiro olhar para dentro de casa e prestar o melhor serviço possível, fazer retenção de clientes e ter controle financeiro. Mas eu não descartaria a possibilidade desses pequenos provedores se prepararem para se juntar com outros ou vender para um consolidador maior”, diz.
Fusão como estratégia de sobrevivência
Na avaliação do especialista, a fusão entre empresas menores pode ser uma alternativa para ganhar escala e aumentar o valor de mercado.
“O objetivo de uma fusão é extrair o que existe de melhor entre as empresas para que elas possam valer mais no futuro ou até por uma questão de sobrevivência”, afirma.
Ele cita como exemplo a união de provedores com 5 mil ou 10 mil clientes, que juntos podem formar uma operação mais robusta e atrativa para compradores.
Momento de decisão para empresários
Valverde alerta que o processo de venda exige planejamento e apoio especializado, já que envolve decisões estratégicas e financeiras complexas.
“É o único evento do empresário. Ele não necessariamente tem experiência com isso. Existe todo um processo de análise, negociação e estruturação. A recomendação é: não vá desassistido para a mesa”, afirma.
Brasil atrai investidores estrangeiros
O cenário também tem despertado interesse internacional. Segundo o especialista, investidores estrangeiros enxergam oportunidades no país devido ao câmbio e ao valor das empresas.
“Para o investidor estrangeiro, o Brasil está mais barato. As empresas estão descontadas e muitas estão endividadas. Isso abre espaço para aquisições”, explica.
O que está em jogo
O avanço das fusões e aquisições deve redesenhar o mercado de telecomunicações nos próximos anos, com redução no número de players e aumento da concentração.
Para os provedores regionais, o cenário é claro: crescer, se adaptar ou se preparar para vender. “Não é se esse momento vai chegar. É quando”, conclui.
