A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, na noite dessa sexta-feira (9/1), em Divinópolis, no Centro-Oeste do estado, Sonny Clay Dutra, apontado como um dos maiores traficantes do Brasil e considerado o principal fornecedor de pasta base de cocaína em Minas Gerais. A prisão é considerada uma das mais relevantes dos últimos anos no combate ao crime organizado no estado.
A ação foi realizada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), vinculada ao Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Delesp), em conjunto com a Diretoria de Inteligência Policial, após meses de investigação e monitoramento.
Segundo a Polícia Civil, Sonny Clay Dutra possui uma longa trajetória no mundo do crime, com atuação em nível nacional e conexões com fornecedores da Bolívia e do Paraguai. Ele é apontado como um grande distribuidor de drogas, responsável pela logística de entrada de grandes quantidades de cocaína no país, abastecendo diferentes estados.
No momento da abordagem, realizada dentro de uma boate, não houve resistência. Com o suspeito, os policiais apreenderam uma pistola Glock calibre .380. Além de cumprir um mandado de prisão decorrente de uma condenação definitiva de 14 anos de reclusão, ele também foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que Sonny Clay Dutra foi admitido no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte, na manhã deste sábado (10/1).
Criminoso fez plásticas para escapar da polícia
De acordo com a Polícia Civil, Sonny havia sido preso pela última vez em 2019 e, desde então, seguia em atividade criminosa. Embora não tenha vínculo direto com facções, ele atuava como fornecedor em larga escala, mantendo interlocução com diferentes grupos criminosos.
As investigações também apontam que o traficante mantinha uma complexa estrutura de lavagem de dinheiro. Em operações anteriores, a polícia identificou empresas de fachada em diversos estados e chegou a solicitar o bloqueio judicial de cerca de R$ 848 milhões. Agora, a nova fase da investigação deve se concentrar novamente no rastreamento do patrimônio e na identificação de novas ramificações da organização criminosa.
A Polícia Civil destacou ainda que Sonny Clay Dutra costumava se passar por empresário, mudou a aparência física ao longo dos anos e adotava um comportamento discreto, sem escolta, como forma de tentar despistar as forças de segurança.
