Após uma sessão marcada por tentativas de obstrução, a Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou em definitivo, nessa quarta-feira (1º/4), o Projeto de Lei 403/2025, que autoriza a Prefeitura a contratar um empréstimo de até R$ 434 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ou outra instituição financeira, com garantia da União. A proposta, de autoria do Executivo, foi aprovada por 33 votos favoráveis e 5 contrários e segue agora para sanção ou veto do prefeito.
O financiamento será destinado ao Programa BH Verde Azul de Redução de Carbono, que reúne uma série de intervenções voltadas à diminuição das emissões de gases de efeito estufa e à adaptação da capital às mudanças climáticas. Entre as ações previstas estão a implantação de um parque no antigo aterro sanitário da BR-040, a requalificação do Parque Guilherme Lage, intervenções em córregos e nascentes nas bacias do Onça, Arrudas e Izidora, além da criação do Parque da Lagoinha.
O programa também prevê a recuperação de áreas verdes degradadas e a realização de estudos para geração de energia renovável por meio de usinas fotovoltaicas. Segundo o líder do governo na Câmara, Bruno Miranda (PDT), o acesso a financiamentos internacionais é essencial para viabilizar grandes obras. “Para que a gente consiga fazer grandes investimentos na cidade é fundamental que nós tenhamos acesso a esses recursos. Isso é essencial”, afirmou.
Parlamentares favoráveis destacaram o impacto das medidas no futuro da cidade. Diego Sanches (Solidariedade) ressaltou que o volume de investimentos justifica a operação de crédito. “Esses investimentos são importantes para a nossa cidade, para os nossos filhos, para os nossos netos e para o futuro”, disse. Já Pedro Patrus (PT) enfatizou a importância ambiental da proposta: “É um empréstimo que vai tratar de questões fundamentais para a cidade de Belo Horizonte. Só vereador que acha que a Terra é plana, que não existe aquecimento global, vota contra”.
Por outro lado, vereadores do PL criticaram o projeto e tentaram adiar a votação. Para Vile Santos, o Executivo tem enviado com frequência propostas de empréstimo ao Legislativo. Uner Augusto questionou a execução de obras em andamento e cobrou a conclusão de intervenções já iniciadas. “Das quatro em execução, nenhuma foi concluída no prazo”, afirmou. Pablo Almeida também criticou o texto, classificando-o como “vago”. “Mais uma vez, não importa o problema, a solução é empréstimo. Quando você lê o projeto você não vê absolutamente nada claro”, declarou.
