O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), criticou em vídeo publicado no domingo (1/11) políticos que incentivam boicote a lojas e empresas de eleitores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Cleitinho desafiou esses políticos a abrir mão do salário e dos benefícios, pagos, segundo ele, com os impostos dessas mesmas empresas.
O que Cleitinho disse
Cleitinho Azevedo afirmou que a cobrança vale para direita e esquerda. Ele lembrou boicotes defendidos pela esquerda contra empresas como Coco Bambu e Havan e disse que agora políticos de direita repetem a prática.
“Os seus benefícios, seus auxílios de moradia, auxílio paletó, auxílio alimentação, a verba de gabinete, ela sai dos empresários, dos trabalhadores. Se você está mandando boicotar empresa, abra mão do seu salário”, disse o senador.
Ao eleitor, Cleitinho sugeriu outro alvo: “Que tal se vocês se unirem agora e começarem a boicotar os políticos?”. Ele citou o fundo eleitoral, que estimou em R$ 5 bilhões nesta eleição, e o fundo partidário como privilégios bancados pelo contribuinte.
No vídeo, o governador eleito também repudiou o caso de um menino que vende doces em Fortaleza, no Ceará. A influenciadora Valéria Diniz pediu que a criança, que é autista, fizesse o gesto do “L”, associado a Lula, e depois se recusou a comprar os doces. O menino tem 9 anos e vende balas na orla para ajudar a avó.
“Quero deixar aqui meu repúdio a essa jovem que humilhou uma criança porque a família dessa criança votou no Lula. Primeiro que a criança não vota”, declarou Cleitinho.
Para reforçar o argumento, ele contou que uma eleitora de Lula comprava há anos no Varejão, comércio do pai dele, Zé Maria, que nunca votou no petista. Numa fase difícil, sem dinheiro para comprar verdura, ela ouviu de Zé Maria que poderia levar o que precisasse e pagar depois. “Não teve boicote de ambas as partes”, resumiu.
Cleitinho também recorreu ao futebol: “Você que é cruzeirense, não tem amigo que é atleticano? Meus melhores amigos são do Galo. A questão do voto define o caráter da pessoa?”
A onda de boicotes após a eleição
Os boicotes ganharam força após o segundo turno. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu nas redes sociais o boicote a estabelecimentos supostamente ligados à esquerda após a vitória de Lula no domingo (25/10). Apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) também publicaram vídeos estimulando a demissão de trabalhadores que votaram em Lula.
Deputados do PT acionaram a PGR, a Polícia Federal e o Ministério Público do Trabalho para pedir uma investigação nacional sobre o caso. O MPT recebeu 1.143 denúncias de assédio eleitoral no país após o segundo turno.
