O candidato ao Senado por Minas Gerais Domingos Sávio (PL) afirmou, nesta segunda-feira (7/9), que o Brasil vive uma “ditadura do Judiciário” e voltou a defender o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi dada durante manifestação de grupos de direita na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, no Dia da Independência.
Em entrevista durante o ato, Domingos comparou a mobilização deste 7 de Setembro às manifestações realizadas em 2016, período em que ocorreu o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo ele, a pressão popular pode novamente influenciar o cenário político.
“Em 2016 eu era líder da oposição. Nós já tínhamos vários pedidos de impeachment da Dilma, mas não andava. No momento que o povo foi para a rua […] houve uma reação e o impeachment da Dilma aconteceu”, afirmou.
Na avaliação do candidato, o momento atual seria ainda mais grave.
“Agora nós estamos vivendo uma situação pior ainda. Nós estamos vivendo já uma ditadura do Judiciário sendo implantada”, declarou.
Críticas a Moraes e caso Master
Domingos Sávio também relacionou as críticas ao Supremo às recentes revelações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Relatório produzido pela Polícia Federal e tornado público por decisão do ministro André Mendonça reúne mensagens atribuídas a Vorcaro destinadas a um número relacionado a Moraes. Entre os diálogos divulgados está uma mensagem na qual o banqueiro questiona se deveria deixar o país antes de sua prisão. O episódio desencadeou uma crise interna no Supremo e questionamentos sobre a atuação dos ministros envolvidos.
Domingos acusou Moraes de ter atuado em benefício de Vorcaro e mencionou também o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da mulher do ministro. As declarações representam a interpretação do candidato sobre o material divulgado.
“Agora não somos nós da oposição que estamos falando, agora é a Polícia Federal”, disse.
Em outro momento, afirmou que, na avaliação dele, Moraes teria deixado de atuar de maneira imparcial. “É isso que ficou evidente, na minha opinião, em tudo que vazou”, declarou.
O candidato também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu a continuidade da mobilização popular.
Impeachment de ministros do STF
Candidato a uma das duas vagas de Minas Gerais no Senado, Domingos colocou a atuação da Casa diante do Supremo como um dos temas centrais de sua campanha. Cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF nos casos de crimes de responsabilidade.
“Nós temos que eleger um Congresso, especialmente um Senado, que tenha autoridade moral, um Senado que tenha independência”, afirmou.
Domingos disse ter assinado pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo nos últimos anos e citou especificamente Moraes.
“Eu assinei o primeiro pedido de impeachment de ministro em 2023. Depois, em 2024, eu assinei outro pedido de impeachment, incluindo, além do Alexandre Moraes, outros ministros. E agora, essa semana, eu assinei mais um pedido de impeachment do Alexandre Moraes”, afirmou.
Eleição para o Senado
Questionado sobre a presença de outros candidatos ao Senado que também adotam discursos críticos a Moraes e ao STF, Domingos afirmou que sua prioridade é a eleição presidencial e a formação de uma bancada no Congresso alinhada a Flávio Bolsonaro (PL).
“A minha luta é para que a gente eleja Flávio Bolsonaro e para que eu possa estar no Senado”, disse.
O candidato afirmou que recebeu apoio de Jair Bolsonaro e de parlamentares do PL, como Nikolas Ferreira, e relacionou esse apoio à própria trajetória política.
Domingos também rejeitou a avaliação de que a existência de diferentes candidaturas identificadas com a direita e a centro-direita em Minas possa, por si só, prejudicar sua campanha ao Senado.
“Termos vários candidatos ao Senado, primeiro, dá ao eleitor a possibilidade de analisar. A nossa candidatura é uma candidatura de direita, é uma candidatura alinhada com o pensamento de Flávio Bolsonaro”, declarou.
Disputa pelo governo de Minas
Ao comentar a eleição estadual, Domingos citou o candidato do PL ao governo, Flávio Roscoe, e o candidato Cleitinho Azevedo (Republicanos). Segundo ele, há uma relação de respeito entre os dois e ambos apoiam Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
“Essa relação de respeito é fundamental, porque Minas é o maior estado da federação. Nós somos fundamentais para eleger Flávio Bolsonaro. Tanto Cleitinho como Flávio Roscoe estão apoiando o Flávio Bolsonaro”, disse.
Domingos afirmou ainda considerar provável que a disputa pelo governo de Minas seja decidida em segundo turno e apontou o PT como principal adversário político de seu campo.
O ato na Praça da Liberdade integra as manifestações realizadas por grupos de direita em diferentes cidades do país neste 7 de Setembro. Em Belo Horizonte, a mobilização reúne parlamentares, candidatos e apoiadores com críticas ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal.