O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, voltou nesta segunda-feira (08/6) a defender a classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelos Estados Unidos, sugeriu ligações do presidente Lula (PT) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino com o crime organizado e criticou as chamadas “canetadas” da Corte.
As declarações foram feitas durante debate promovido pelo Grupo Voto, em São Paulo.
Flávio Bolsonaro critica o STF
Ao falar sobre segurança pública, o senador defendeu a redução da maioridade penal, mas disse que a medida dependeria de apoio do Congresso Nacional e de “segurança jurídica”, algo que, segundo ele, o Supremo estaria impedindo.
“Precisamos de deputados e senadores que sejam favoráveis a essas pautas. Precisamos de senadores que possam voltar a dar segurança jurídica nesse Brasil, porque não pode mais um ministro do Supremo dar uma canetada e impedir uma ferrovia de ser construída. O Congresso revoga o IOF e, numa canetada, um ministro do Supremo vai lá e diz que o IOF tem que ser cobrado. Como é que você consegue fazer mudanças importantes estruturais no país com esse tipo de insegurança jurídica?”, questionou.
Senador diz que Brasil deveria ‘agradecer’ aos EUA
Flávio também defendeu a decisão do presidente norte-americano Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo ele, o governo brasileiro deveria ter aproveitado a medida para construir um pacto de combate à lavagem de dinheiro dessas facções, em vez de adotar o discurso de defesa da soberania nacional.
“A partir do momento que o governo americano classifica essas organizações como terroristas, ao invés de o governo brasileiro agradecer e fazer um grande pacto de combate à lavagem de dinheiro desses grupos, não, ele vai para a narrativa de que está defendendo a soberania”, criticou.
Senador insinua ligação de Lula e Dino com o crime
Em seguida, Flávio fez insinuações diretas sobre o presidente Lula e o ministro do STF Flávio Dino, que foi ministro da Justiça no início do governo petista.
“Aí você olha para o presidente do Brasil e ele pensa o contrário, parece que ele é o chefe do PCC. O ministro da Justiça do Lula, chamado Flávio Dino, entra numa favela no Rio chamada Complexo da Maré, violentíssima, o berço do Comando Vermelho, ele entra sem policial, sem escolta. E ali você entra debaixo de muito tiro, dentro de um carro blindado, que é como a polícia faz, ou você tem autorização do tráfico para entrar”, afirmou o senador.
Flávio também questionou a visita de Lula ao Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, durante a campanha eleitoral de 2022. “Quando o próprio Lula vai fazer campanha dentro de uma outra favela no Rio, chamada Complexo do Alemão, outra área dominada pelo Comando Vermelho, ele está ali também, dispensou os policiais. Por que as cadeias ficaram em festa em 2022, quando o Lula foi declarado presidente da República?”, disse.
Mudança de tom em relação à semana passada
As críticas ao STF representam uma mudança em relação ao discurso que o senador adotou nos últimos dias. Desde o anúncio das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros pelos EUA, na semana passada, Flávio havia concentrado suas declarações contra Lula e deixado a Corte de fora das críticas, estratégia diferente da adotada no tarifaço do ano anterior, quando dividiu os ataques entre o presidente e o Supremo.
Com o pré-candidato do PL apostando no tema da soberania para desgastar o petista, o STF voltou agora ao alvo de suas declarações.