O ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais e pré-candidato ao Governo de Minas pelo PSB, Jarbas Soares Júnior, afirmou que deixou o Ministério Público decepcionado com os rumos da instituição e criticou o ex-governador Romeu Zema (Novo) pela condução da sucessão no comando do órgão.
Em entrevista ao programa 98 Talks, da 98 News, nesta segunda-feira (08/6), Jarbas afirmou que foi tratado de forma hostil no processo de transição e disse que o então governador o “colocou para sair pela porta dos fundos”.
“E também nesse período que eu saí do Ministério Público, de certa forma o governador me colocou para sair pela porta dos fundos nesse período. Então, o clima foi muito hostil na posse a mim”, declarou.
Decepção influenciou saída do Ministério Público
Jarbas explicou que permaneceu 36 anos no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e que, após deixar a chefia da instituição no fim de 2024, passou por um período de reflexão antes de decidir ingressar na política.
Segundo ele, a decisão não foi motivada pelos ataques ao sistema de Justiça nem pela conjuntura política nacional, mas por uma combinação de fatores pessoais e institucionais.
“Depois que eu deixei o Ministério Público, a chefia, no final de 2024, eu tive muito desgosto com tudo que aconteceu naquele período final. Durante o ano de 2025, eu fiquei naquele ano sabático, refletindo um pouco sobre essa história e também sobre as possibilidades de vida que eu tinha”, afirmou.
O ex-procurador também revelou ter recusado propostas da iniciativa privada antes de optar pela filiação partidária.
“Recebi muitos convites da iniciativa privada, recusei salários de R$ 350 mil, R$ 250 mil, R$ 150 mil por mês. Também recebi muitos convites para ingressar na política”, disse.
Críticas à sucessão na Procuradoria-Geral
Durante a entrevista, Jarbas afirmou que havia um acordo para conduzir a transição no comando do Ministério Público de forma planejada e que a escolha feita pelo governo não foi a mais adequada para a instituição.
Segundo ele, a decisão comprometeu projetos que estavam em andamento e enfraqueceu a atuação do órgão.
“O governador simplesmente não fez o que acho que seria melhor para a instituição, melhor para Minas Gerais e melhor para o governo dele”, afirmou.
Jarbas também criticou a atual gestão do Ministério Público e disse que a instituição perdeu protagonismo nos últimos meses.
“O momento não é bom, reconheço. Muito culpa também da transição que foi feita. Internamente no Ministério Público, a gestão não é boa, os resultados não aparecem mais”, declarou.
Ex-chefe do MP diz que instituição perdeu protagonismo
Ao comentar o legado de sua gestão, Jarbas afirmou que o Ministério Público mineiro alcançou destaque nacional durante os últimos anos e que esse cenário mudou após sua saída.
“Nós transformamos o Ministério Público na instituição pública das mais admiradas do Brasil. No Ministério Público brasileiro, com certeza, a mais premiada e a mais destacada”, disse.
Ele citou como exemplo a quantidade de premiações recebidas pela instituição durante sua gestão.
“Pega só um exemplo: quantos prêmios o Ministério Público ganhou em 2025? Nenhum. No nosso período, nós éramos a instituição mais premiada pelo Conselho Nacional do Ministério Público”, afirmou.
Apesar das críticas, Jarbas disse manter boa relação pessoal com o atual vice-governador, Mateus Simões (Novo), e afirmou que sua decisão de deixar o Ministério Público e ingressar na política foi tomada após considerar que era o momento de abrir espaço para uma renovação dentro da instituição.