O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (11/6) que o governo brasileiro utilizará os novos dados de redução do desmatamento para rebater críticas feitas pelos Estados Unidos e contestar as justificativas apresentadas pela gestão de Donald Trump para impor tarifas ao Brasil.
Durante visita ao Observatório Regional Amazônico (ORA), em Brasília, Lula afirmou que os números que serão divulgados oficialmente pelo governo federal nesta sexta-feira (12) demonstram os avanços obtidos pelo país no combate ao desmatamento e servirão de resposta às críticas feitas por Washington.
“Nós vamos ter que pegar esses dados que vocês vão tornar públicos amanhã e mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior. E vamos comparar o que acontece no Brasil com o que acontece nos Estados Unidos. Vamos comparar porque agora é hora da comparação.”
Segundo o presidente, o governo americano já utilizou argumentos econômicos que, na avaliação do Planalto, não correspondem à realidade da relação comercial entre os dois países.
“Eles mentiram a primeira vez que taxaram o Brasil em 50%, dizendo que tinha déficit comercial. Nós provamos que eles tiveram superávit muito alto em 15 anos, 417 bilhões de dólares, como tiveram no ano passado quase 40 bilhões de dólares entre bens e serviços. E agora com esse negócio que eles falaram da questão do desmatamento. Ele não sabe o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a desmatamento zero até 2030.”
Lula defende estratégia ambiental do governo
Ao comentar os resultados apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente, Lula afirmou que a redução do desmatamento é resultado de uma política construída em conjunto com estados, municípios e órgãos de fiscalização.
O presidente destacou que a estratégia passou por incluir os prefeitos dos municípios amazônicos nas ações de combate à devastação e garantir apoio financeiro para a execução das medidas.
“Nós decidimos colocar os prefeitos no mesmo pé de igualdade do ministro do Meio Ambiente na responsabilidade de cuidar do desmatamento e oferecer ajuda financeira para que os prefeitos tivessem condições de fazer o trabalho que a gente acha que eles deveriam fazer. E o resultado é extraordinariamente positivo, numa demonstração de que se a gente reunir a boa vontade do governo federal, dos governos estaduais e dos prefeitos, mais o aparelhamento das instituições que fazem esse trabalho, a gente pode ter um efeito muito positivo.”
Lula também afirmou que a meta de desmatamento zero até 2030 é uma decisão do governo brasileiro e não uma imposição de organismos internacionais.
“Isso não é uma decisão de nenhuma COP, não é decisão da ONU. Isso é uma decisão do nosso governo. É por uma questão de justiça e de participação do Brasil com ajuda ao planeta Terra, cumprir com a nossa obrigação de tentar evitar o desmatamento o máximo possível e provando que o não desmatamento é mais lucrativo do que o desmatamento.”
O presidente ainda argumentou que a preservação ambiental produz benefícios coletivos maiores do que os ganhos econômicos gerados pela exploração irregular da floresta.
“O desmatamento pode ajudar uma pessoa a ficar rica, pode ajudar até duas pessoas a ficar ricas, mas o não desmatamento ajuda o Brasil, ajuda a Amazônia e ajuda o mundo.”
Presidente quer comparar leis trabalhistas dos dois países
Durante o discurso, Lula também revelou ter solicitado um levantamento para comparar os direitos trabalhistas existentes no Brasil e nos Estados Unidos.
Segundo ele, a iniciativa faz parte da estratégia do governo para responder às críticas feitas por autoridades americanas.
“Nós temos que fazer uma comparação entre o mundo do trabalho nos Estados Unidos e o mundo do trabalho aqui no Brasil. É lógico que nós temos defeitos, mas eu quero comparar o direito dos trabalhadores americanos com o direito dos trabalhadores brasileiros. Eu quero comparar porque quando a gente está negociando com alguém que não tem parâmetro para negociar, com alguém que não se comporta de forma civilizada para negociar, a gente vai ter que fazer comparação.”
‘Com o Brasil não é assim’, diz Lula
Ao comentar diretamente a relação com Donald Trump, Lula afirmou que não pretende entrar em conflito com os Estados Unidos, mas disse que o Brasil não aceitará ser tratado de forma subordinada.
O presidente afirmou que já transmitiu essa posição ao líder americano em outras ocasiões.
“Eu tenho dito para todo mundo e já falei para o presidente Trump três vezes: não adianta falar para mim que você tem o navio maior do mundo, que você tem os aviões mais rápidos do mundo. Eu não quero guerra com você. A minha guerra é narrativa. A minha guerra é provar que nós estamos certos e que vocês estão errados.”
Na sequência, Lula fez a declaração mais dura do discurso ao falar sobre o papel de Trump na política internacional.
“A minha tese é provar que você foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos e eu respeito o voto do povo americano. Mas que você não foi eleito para ser imperador do mundo, onde você pode dizer tudo o que você quer e as pessoas ficarem quietas. Com o Brasil não é assim.”
Apesar das críticas, o presidente afirmou que o governo brasileiro continuará defendendo uma relação baseada no diálogo entre os dois países.
“A gente não quer briga. A gente quer respeito. A gente não quer briga, a gente quer igualdade. A gente não quer briga, a gente quer civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países.”