A PF (Polícia Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) decidiram priorizar a investigação sobre crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro antes de avançar sobre possíveis menções a políticos no caso envolvendo o Banco Master. A avaliação dos investigadores é que a divulgação antecipada de nomes ligados ao caso pode prejudicar a apuração e até permitir a destruição de provas.
As informações são de Aguirre Talento, do Estadão.
Foco inicial é operação envolvendo o Banco Master
Segundo investigadores, a estratégia é manter o foco no núcleo original do caso, que envolve suspeitas de irregularidades na venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Há também indícios de desvio de recursos do sistema financeiro para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de familiares, segundo apuração da PF.
A meta das equipes responsáveis pelo caso é concluir os primeiros inquéritos sobre crimes financeiros ainda no primeiro semestre deste ano.
Investigadores evitam ampliar escopo da investigação
Nos bastidores, investigadores avaliam que ampliar rapidamente o alcance da investigação pode comprometer o andamento das apurações.
Por isso, o vazamento de informações extraídas do celular de Vorcaro, que haviam sido compartilhadas com a CPI do INSS, gerou desconforto entre integrantes da PF e da PGR. Segundo eles, a divulgação prematura de nomes pode criar pressão externa sobre os órgãos de investigação.
Menções a políticos podem ser analisadas em etapa posterior
A análise de possíveis menções a políticos deverá ocorrer apenas em uma segunda fase das investigações.
Até o momento:
- não há inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) contra parlamentares ou outros políticos
- nenhuma investigação específica foi solicitada ao STF com esse foco
Conversas com Moraes não são alvo de apuração
As mensagens que indicariam contatos entre Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes também não estão sendo investigadas neste momento. De acordo com os investigadores, não há indícios de crime por parte do ministro nas informações extraídas do celular do banqueiro.
Investigadores citam lições da Lava Jato
Nos bastidores, integrantes das equipes de investigação afirmam que procuram evitar erros atribuídos à antiga Operação Lava Jato. Entre as preocupações estão:
- ampliar excessivamente as linhas de investigação
- iniciar apurações contra políticos sem provas suficientes
- gerar reações institucionais que comprometam as investigações
Delação pode mudar rumo das investigações
O cronograma atual das investigações pode mudar dependendo de novos elementos.
Entre os fatores que podem acelerar a apuração de políticos estão:
- eventual decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF
- uma delação premiada de envolvidos, incluindo o próprio Daniel Vorcaro
PF e PGR mantêm cooperação no caso
Apesar de divergências pontuais, como na avaliação sobre a necessidade de prisão de Vorcaro e de aliados, investigadores afirmam que PF e PGR mantêm relação de cooperação nas apurações.
Segundo fontes da investigação, os dois órgãos continuam trocando informações e atuando em conjunto nas principais etapas do caso.
Um exemplo foi o relatório da Polícia Federal sobre menções ao ministro Dias Toffoli, que teve conhecimento prévio da PGR antes de ser enviado ao STF.
O documento acabou sendo arquivado pela Corte. Segundo investigadores, o tema só poderá voltar à investigação caso surjam novas provas.
