Adversários na disputa pelo governo de Minas Gerais e concorrentes por parte do eleitorado bolsonarista, Flávio Roscoe (PL) e Cleitinho Azevedo (Republicanos) participaram, nesta segunda-feira (7/9), da mesma manifestação na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, mas não chegaram a dividir o trio onde discursaram as lideranças políticas. Roscoe deixou o local antes da chegada de Cleitinho, que teve o nome gritado por parte dos manifestantes e, durante o discurso e em entrevista, evitou rivalizar com o candidato do PL.
A movimentação chama atenção pelo desenho da direita na disputa mineira. Cleitinho já declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República. O presidenciável, por sua vez, afirma que Roscoe, candidato de seu próprio partido, é seu nome para o governo de Minas. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro já agradeceu publicamente o apoio de Cleitinho e disse ter duas importantes lideranças mineiras trabalhando por sua candidatura presidencial.
Com isso, Roscoe e Cleitinho disputam espaço entre eleitores identificados com o bolsonarismo no estado, apesar de manterem publicamente uma relação de respeito.
Roscoe sai antes da chegada de Cleitinho
Roscoe participou da primeira parte da manifestação e discursou no caminhão montado na Praça da Liberdade. O candidato deixou o evento antes de Cleitinho chegar ao local onde estavam representantes da direita e lideranças do PL.
Na chegada de Cleitinho, parte dos manifestantes passou a gritar o nome do candidato do Republicanos. Durante o discurso, porém, o senador afirmou que não estava no ato para pedir votos ou rivalizar com outros candidatos.
Cleitinho destacou que participava da manifestação também na condição de senador e relacionou sua presença às críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“Quero deixar bem claro aqui, gente, que hoje eu estou aqui como senador. Por mais que eu seja candidato a governador, essa pauta de hoje aqui é a questão do Supremo, é a questão do STF”, afirmou.
‘Um amigo, um parceiro’
Após o discurso, Cleitinho foi questionado sobre Roscoe ter deixado a manifestação antes de sua chegada. O candidato do Republicanos evitou críticas e classificou o adversário como amigo.
“Um amigo, um parceiro, e a gente está junto do mesmo jeito. Não espere de mim atacar adversário. Não é atacando adversário que eu vou ganhar a eleição”, declarou.
Cleitinho afirmou que pretende concentrar a campanha nas próprias propostas e em viagens pelo estado.
“Eu vou fazer minhas propostas, minhas ideias, percorrer Minas Gerais e fazer isso. E eu tenho certeza que, a hora que acabar a eleição, a gente tem que estar tudo junto para poder fortalecer Minas Gerais”, disse.
Disputa pelo eleitor bolsonarista
A relação entre os dois candidatos ganhou um componente particular desde o início oficial da campanha. Cleitinho reafirmou durante o primeiro debate eleitoral que apoia Flávio Bolsonaro para presidente e disse que não está neutro na disputa nacional.
Dias depois, Flávio Bolsonaro esteve em Belo Horizonte para o lançamento da candidatura de Roscoe e delimitou sua posição na eleição estadual.
“O nosso candidato aqui em Minas é o Flávio Roscoe”, afirmou o presidenciável na ocasião. Apesar disso, Flávio elogiou Cleitinho e destacou o apoio recebido pelo candidato do Republicanos.
Roscoe também já comentou publicamente a situação. Em agosto, afirmou não considerar que o apoio de Cleitinho a Flávio Bolsonaro represente uma ameaça à própria candidatura ou necessariamente uma divisão prejudicial do eleitorado de direita.
Na Praça da Liberdade, Cleitinho voltou a se identificar com esse campo político. Questionado se a presença no ato consolidava sua candidatura entre os eleitores de direita, respondeu:
“Não. Sempre fui candidato de direita. É só pegar meus quatro anos de mandato. Eu sou de direita, mas meu coração é para todos”, afirmou.
Apesar da disputa direta pelo Palácio Tiradentes e pelo apoio de uma parcela semelhante do eleitorado, Cleitinho manteve o tom de conciliação em relação a Roscoe e disse esperar união após o encerramento da eleição.