O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, recebeu nesta terça-feira (21/4) o Grande Colar da Medalha da Inconfidência durante as celebrações do feriado de Tiradentes, em Ouro Preto. Na cerimônia, que marcou a transferência simbólica da capital mineira, o chefe do Executivo paulista, portanto, aproveitou para fazer críticas ao cenário nacional durante o discurso oficial.
Ao receber a honraria máxima das mãos do atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões, Tarcísio exaltou o passado histórico do estado. “Receber a medalha é mais que uma honra. É contrair uma dívida com a história e a grandeza de Minas Gerais. Um compromisso com a memória daqueles que com sangue e suor ousaram pensar o Brasil livre antes mesmo que ele existisse”, declarou o mandatário.
Dessa forma, o político paulista traçou um paralelo entre as lutas contra a Coroa e os problemas contemporâneos do país. “Somos um país com bolsões de atraso entremeados por ilhas de excelência. Hoje sentimos as mazelas do patrimonialismo que captura o Estado. Lidamos com ineficiência na alocação de recursos, consubstanciado em um orçamento público deformado que privilegia a política de paróquia”, disparou o governador.
Para embasar sua crítica sobre a estagnação nacional, Tarcísio fez questão de relembrar o histórico de insurgência local contra o autoritarismo, citando episódios como a Guerra dos Emboabas e a Revolução Liberal. “O fio que costura essas datas é um só: a recusa à submissão. Os inconfidentes lutavam para um país soberano, justo, próspero. Lutavam contra o fisco pesado da Coroa, contra o estado capturado, contra a ausência de futuro”, relembrou.
Elogios à gestão mineira e visão de futuro
Tarcísio ainda criticou o distanciamento da classe política e a perda de energia em debates vazios que atrasam o desenvolvimento do país. “Talvez gastemos muita energia com a polarização que nos leva a nada. Talvez tenhamos uma midiatização exacerbada da vida nacional, enquanto a liderança parece estar cada vez menos conectada aos anseios reais do povo”, lamentou em cima do palanque.
Além disso, ao projetar o que os inconfidentes diriam no cenário atual, o paulista aproveitou a tribuna para elogiar o governo dos aliados locais. “Vejo esse esforço sendo feito em Minas Gerais. Vejo isso no trabalho de Romeu Zema e Mateus Simões. Ambos têm se esforçado muito para resgatar a bússola da responsabilidade fiscal, da liberdade econômica e do respeito a quem produz”, elogiou.
Por fim, a tradicional entrega das comendas na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) homenageou 171 autoridades, marcando a ausência de artistas conhecidos do público. Encerrando o discurso, Tarcísio deixou um recado final sobre a homenagem: “Não recebo um prêmio, recebo um chamado. O chamado para não esquecer que a liberdade não é só herança, é conquista diária”.
