O banqueiro Daniel Vorcaro teria trocado mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, no dia em que foi preso pela Polícia Federal, em novembro de 2025. A informação foi publicada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e repercutida pelo O Estado de S. Paulo.
Segundo a reportagem, dados extraídos do celular do banqueiro indicam que as conversas ocorreram entre 7h19 e 20h48 do dia 17 de novembro de 2025, poucas horas antes da prisão no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos.
De acordo com a apuração, Vorcaro relatava ao ministro negociações envolvendo a venda do Banco Master e também mencionava movimentações relacionadas a um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.
Conversas teriam sido feitas por meio de prints
Para evitar o registro das mensagens em aplicativos, o banqueiro utilizaria um método específico de comunicação. Segundo a reportagem, Vorcaro escrevia textos em um bloco de notas do celular, capturava a tela e enviava as imagens pelo WhatsApp com a opção de visualização única.
Esse mecanismo impediria a formação de um histórico permanente das conversas. Por causa desse método, as respostas do ministro não aparecem no aparelho, mas os rascunhos escritos por Vorcaro permaneceram registrados.
Mensagens citadas na investigação
Entre os textos encontrados no celular do banqueiro, há registros de mensagens relacionadas a negociações empresariais. Em um dos prints, Vorcaro afirma:
“Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”.
Em outro registro, ele pergunta ao interlocutor: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
Segundo a cronologia apresentada pela reportagem, as mensagens indicam que o banqueiro acompanhava o avanço das investigações enquanto mantinha as conversas.
Em outro trecho, ele volta a questionar: “Alguma novidade?”.
Monitoramento das investigações
De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro teria obtido informações sigilosas relacionadas à investigação por meio de acesso ilegal aos sistemas da própria corporação.
A reportagem aponta ainda que o banqueiro tentou protocolar uma petição na 10ª Vara Federal de Brasília apenas 18 minutos após a decretação de sua prisão, numa tentativa de barrar medidas cautelares.
Última mensagem antes da prisão
A última anotação registrada no celular do banqueiro foi feita às 20h48, poucas horas antes da abordagem policial.
No texto, ele escreve:
“Foi. Seria melhor na sexta junto com os gringos mas foi o que deu pra fazer dentro da situação. Acho que pode inibir. Amanhã começam as batidas do Esteves. To indo assinar com os investidores de fora e estou online”.
Segundo a reportagem, após essa mensagem o ministro teria reagido com um emoji de polegar levantado.
Pouco depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal ao tentar embarcar para Malta.
Moraes nega ter recebido mensagens
Procurado pela reportagem, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que não recebeu as mensagens mencionadas na investigação.
Em nota, ele classificou a informação como falsa.
As informações são “uma ilação mentirosa destinada a atacar o STF”.
A defesa de Daniel Vorcaro informou que não se manifestaria sobre o caso.
