A infraestrutura para recarga de veículos elétricos avança no Brasil, principalmente com a expansão dos carregadores rápidos. O crescimento da frota, no entanto, aumenta a pressão por novos pontos de abastecimento e exige planejamento da rede elétrica para atender desde motoristas individuais até condomínios e grandes frotas de transporte público.
Em entrevista à 98 News, o gerente da unidade de negócios de mobilidade elétrica da Nansen, João Tabelini, explicou que a tecnologia já permite reduzir significativamente o tempo necessário para carregar um veículo.
Segundo ele, a velocidade depende tanto da potência do carregador quanto da capacidade do próprio automóvel de receber a energia. Em alguns mercados, como o chinês, já existem tecnologias capazes de realizar recargas em cerca de cinco minutos. No Brasil, porém, a realidade ainda é diferente.
“Na rede existente hoje que a gente tem no país, essa recarga acontece na faixa de 30 a 40 minutos”, afirmou.
Número de pontos ainda é desafio
Apesar da expansão da infraestrutura, o número de carregadores disponíveis ainda está distante de referências observadas em mercados mais desenvolvidos.
De acordo com Tabelini, uma referência internacional utilizada pelo setor é de aproximadamente um ponto de recarga para cada dez veículos elétricos. No Brasil, a relação estaria atualmente em um carregador para cada 63 veículos. Em Minas Gerais, seria de um para cada 59.
Para o especialista, a diferença mostra que ainda existe espaço significativo para a expansão dos chamados eletropostos, especialmente diante do aumento da circulação de veículos eletrificados.
A instalação desses equipamentos, porém, não depende apenas de escolher um local e conectar o carregador à rede. Cada projeto exige uma avaliação da estrutura elétrica disponível e da potência necessária.
“Seleciona o ponto, avalia o ponto, dimensiona qual vai ser a potência de recarga do equipamento disponível para aquele local e define o modelo de negócio”, explicou.
Os desafios também mudam conforme o tipo de instalação. Nas ruas, por exemplo, entram questões relacionadas às regras para utilização das vagas. Em postos e estacionamentos, é preciso considerar a disponibilidade e os prazos para conexão à rede elétrica. Já nos condomínios, um dos principais pontos é definir como será feita a medição e a cobrança individual da energia consumida.
Ônibus elétricos exigem planejamento
A necessidade de planejamento se torna ainda maior quando a eletrificação envolve frotas inteiras. Belo Horizonte contratou 96 ônibus elétricos e 27 carregadores de alta potência para ampliar a presença de veículos elétricos no transporte coletivo da capital.
Nesse tipo de operação, segundo Tabelini, a prioridade não é necessariamente realizar a recarga no menor tempo possível. “Recarga de frota não é sobre carregar rápido. É sobre carregar a tempo”, resumiu.
Isso significa calcular previamente as rotas, o consumo de energia e os horários de saída dos ônibus, além de verificar junto à concessionária se há capacidade elétrica disponível nas garagens.
Sistemas de gestão também podem organizar quais veículos devem ser carregados primeiro, considerando horários de saída, manutenção e tempo disponível na garagem.
No projeto de Belo Horizonte, os 27 equipamentos têm potência de 160 kW cada. Juntos, representam cerca de 4,3 MW de potência instalada.
Para Tabelini, projetos dessa dimensão mostram que a expansão da mobilidade elétrica vai além da compra de veículos e carregadores. O avanço da frota precisa ser acompanhado pela ampliação dos pontos de recarga, pela capacidade da rede elétrica e por sistemas capazes de administrar a demanda de energia — especialmente à medida que carros particulares, condomínios e transporte público passam a disputar uma infraestrutura que ainda está em expansão.
