O impasse do Rodoanel Metropolitano ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira (23/3), durante uma audiência no Tribunal Regional Federal, 6ª Região, em Belo Horizonte.
O encontro contou com integrantes da Justiça Federal, do Incra, do Ministério Público Federal, do Ministério dos Direitos Humanos e da Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais.
A audiência teve, ainda, a participação do Governador do Estado, Mateus Simões (PSD), que cumpre hoje o seu primeiro dia à frente do cargo. Também esteve presente o Advogado-Geral do Estado, o procurador Fábio Nazar.
Em fala à imprensa, Simões se disse disposto a negociar para que o Rodoanel Metropolitano saia do papel. O governador, entretanto, criticou a Federação dos Quilombolas, e afirmou que não descarta utilizar os recursos, que somam cerca de R$ 5 bilhões, em outras obras de mobilidade, caso o projeto não avance.
“Se nós não tivermos uma decisão rápida, eu vou pedir no acordo de Brumadinho que o dinheiro do Rodoanel seja retirado para que a gente faça a obra de expansão do metrô”, afirmou.
Simões também reforçou o prazo para uma definição. “Eu não vou deixar esse dinheiro parado mais. Dentro de 30 dias eu tomo a providência de pedir direcionamento desse recurso”, disse. Ainda de acordo com o governador, a intenção não é abandonar o projeto, mas priorizar investimentos viáveis no curto prazo. “Eu não vou jogar no chão o projeto do Rodoanel, vou só tirar o dinheiro de lá, vou pôr o dinheiro no lugar onde ele possa se aplicar de forma mais rápida”.
Quilombolas e outros povos e comunidades tradicionais reclamam não terem sido ouvidos antes do leilão da concessão, que ocorreu em agosto de 2022, nem posteriormente.
Segundo o governo, o principal entrave está na definição sobre quais dessas comunidades devem ser consultadas. “Tá na quantidade de comunidades a serem consultadas. Esse é um tema intransponível”.
O Rodoanel Metropolitano é visto pelo Governo de Minas como uma alternativa ao Anel Rodoviário, e deve impactar 11 municípios da RMBH. Destes, Contagem apenas se posicionou contrária ao projeto.
