O Ministério da Saúde iniciou, nessa segunda-feira (23/3), a etapa nacional de coleta de dados da primeira Pesquisa Nacional de Saúde Mental do Brasil (PNSM-Brasil). O estudo, inédito e de base populacional, vai mapear a ocorrência de transtornos mentais e o acesso da população aos serviços de saúde em todo o país.
A pesquisa havia sido anunciada em janeiro e passou por uma fase piloto em oito municípios, quando foram testados os instrumentos de coleta, os procedimentos operacionais e a abordagem nos domicílios. Agora, com o início da etapa nacional, a expectativa é reunir dados representativos da população adulta brasileira.
A PNSM-Brasil integra as ações de vigilância em saúde e tem como objetivo produzir evidências sobre a prevalência de transtornos mentais, além de investigar o acesso aos serviços e os impactos dessas condições na vida das pessoas. Os resultados devem orientar o planejamento e o aprimoramento de políticas públicas, especialmente no fortalecimento da rede de atenção psicossocial do SUS.
A diretora do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças não Transmissíveis (DAENT), Letícia de Oliveira Cardoso, destaca que a participação da população é essencial. “A pesquisa fortalece a produção de evidências para políticas públicas, apoia a qualificação da organização dos serviços de saúde mental no SUS e contribui para a redução do estigma associado ao sofrimento psíquico”, afirma.
De caráter domiciliar, o estudo será realizado com pessoas a partir de 18 anos, selecionadas de forma aleatória em diferentes regiões do país. Em cada residência, um morador será escolhido para responder à entrevista, que poderá ser agendada caso não seja possível realizá-la no momento da visita.
Os entrevistadores passaram por treinamento específico, com foco em procedimentos éticos e abordagem de temas sensíveis. As entrevistas serão feitas presencialmente, com uso de questionários eletrônicos em tablets, seguindo padrões internacionais para pesquisas na área de saúde mental.
Durante a coleta, serão abordados temas como condições de saúde, experiências de vida, relações sociais, trabalho, renda, bem-estar emocional e uso de álcool e outras substâncias, além da busca por atendimento em saúde.
A participação é voluntária e depende do consentimento do entrevistado, que pode interromper a entrevista a qualquer momento. O ministério reforça que não serão solicitados dados bancários ou qualquer tipo de pagamento.
Para garantir o sigilo, as informações serão armazenadas em sistema seguro e analisadas de forma agregada, sem identificação individual, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A execução técnico-científica do estudo é responsabilidade da Universidade Federal do Espírito Santo.
