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Adoçante usado em chicletes é associado a derrames e ataques cardíacos; entenda

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Andreza Miranda

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Xilitol, adoçante encontrado em chicletes, pode fazer mal para a saúde (Foto: magnific.com)

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Um estudo com 17.710 pessoas associou níveis elevados de xilitol, adoçante usado em produtos como chicletes, geleias, cremes dentais, iogurtes e sorvetes, a um risco maior de eventos cardiovasculares graves, incluindo ataque cardíaco, derrame e morte. Os resultados foram apresentados durante o congresso anual da ESC (Sociedade Europeia de Cardiologia), em Munique.

O xilitol é um álcool de açúcar encontrado naturalmente em alguns alimentos, mas em pequenas quantidades. A substância também é adicionada a produtos para substituir o açúcar e, segundo os pesquisadores, pode estar presente em concentrações até mil vezes superiores às encontradas naturalmente.

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Apesar da utilização crescente, os efeitos do xilitol sobre a saúde a longo prazo ainda não são amplamente conhecidos.

O que o estudo descobriu?

Os pesquisadores compararam os 25% dos participantes com os maiores níveis de xilitol no sangue aos 25% com as menores concentrações. No período de seis anos, o grupo com os níveis mais elevados apresentou 57% mais chances de morrer ou sofrer um ataque cardíaco ou derrame.

Os resultados também foram observados em uma análise com acompanhamento de 30 anos. Nesse caso, as pessoas com maiores concentrações de xilitol no sangue apresentaram uma probabilidade 18% maior de ter sofrido um desses eventos cardiovasculares.

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Ao analisar também os grupos intermediários, os pesquisadores identificaram uma possível relação dose-dependente: quanto maiores os níveis de xilitol no sangue, maior a taxa de eventos cardiovasculares.

A associação permaneceu mesmo quando foram consideradas características como idade e sexo. Segundo os pesquisadores, ela também foi independente de fatores como índice de massa corporal, hipertensão, diabetes e níveis de lipídios, que poderiam estar relacionados à escolha de produtos com menor quantidade de calorias.

Adoçante de chiclete pode causar ataque cardíaco?

Os resultados não comprovam que o xilitol cause diretamente ataques cardíacos ou derrames. O trabalho é um estudo observacional, capaz de identificar uma associação entre fatores, mas não de estabelecer uma relação de causa e efeito.

O professor Dan Atar, integrante do comitê de comunicação da Sociedade Europeia de Cardiologia e que não participou da pesquisa, ressaltou que são necessários novos estudos para investigar a relação entre o xilitol e os eventos cardiovasculares.

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A pesquisa também não significa que o consumo de um chiclete com xilitol levará necessariamente a um ataque cardíaco ou derrame. O trabalho avaliou os níveis da substância no sangue dos participantes, e não estabeleceu uma quantidade específica de consumo capaz de provocar esses eventos.

Por que o xilitol pode estar relacionado aos eventos cardiovasculares?

Uma possível explicação está relacionada à formação de coágulos. Pesquisas anteriores conduzidas pela mesma equipe indicaram que o xilitol pode aumentar a capacidade das plaquetas, células envolvidas na coagulação sanguínea, de formar coágulos.

O autor do estudo, Marco Witkowski, do hospital universitário Charité, em Berlim, afirmou que os novos resultados ampliam pesquisas anteriores que já haviam levantado preocupações sobre a substância. Para ele, os achados reforçam a necessidade de investigar a segurança cardiovascular do xilitol, especialmente diante do aumento de sua utilização em produtos.

É preciso parar de consumir xilitol?

Os pesquisadores não afirmam que a população deva substituir produtos com xilitol por aqueles com açúcar. A nutricionista Dell Stanford, da British Heart Foundation, destacou que o estudo não representa uma recomendação para aumentar o consumo de açúcar, que também deve ser reduzido.

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A especialista defendeu a redução do consumo de alimentos e bebidas processados, frequentemente ricos em açúcar, sal ou adoçantes, além da adoção de uma alimentação equilibrada como estratégia para proteger a saúde cardiovascular.

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Andreza Miranda

Graduada em Jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e produtora multimídia da Rede 98 desde 2024. Foi repórter no Portal BHAZ de 2020 a 2024. Participou de três reportagens premiadas pela CDL/BH (2021, 2022 e 2024); de reportagem do projeto MonitorA, vencedor do Prêmio Cláudio Weber Abramo (2021); e de duas reportagens premiadas pelo Sebrae Minas (2021 e 2023).

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