O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou a transferência imediata do ex-presidente Jair Bolsonaro para um hospital após ele relatar ter sofrido uma queda na cela da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, durante a madrugada. A decisão motivou reação do Partido Liberal (PL), que divulgou nota de repúdio e pediu a reconsideração do pedido de prisão domiciliar.
Em despacho, Moraes intimou a defesa de Bolsonaro a informar quais exames seriam necessários para avaliar o estado de saúde do ex-presidente, a fim de verificar a possibilidade de realização dos procedimentos no próprio sistema penitenciário. O ministro citou nota da PF segundo a qual foram constatados apenas ferimentos leves. De acordo com o comunicado, o médico da instituição “não identificou necessidade de encaminhamento hospitalar, sendo indicada apenas observação”.
Com base nesse documento, Moraes afirmou que “não há nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital, conforme claramente consta na nota da Polícia Federal”, e determinou que o laudo médico elaborado pela PF seja juntado aos autos do processo.
A queda foi tornada pública mais cedo pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em publicação nas redes sociais, ela escreveu que o ex-presidente “não está bem” e teria batido a cabeça em um móvel após sofrer uma “crise” enquanto dormia.
PL registra indignação
Em reação ao episódio, o Partido Liberal divulgou nota nesta terça-feira (6/1) afirmando estar “inconformado” com o acidente ocorrido na cela da PF. A sigla também repudiou a decisão do STF que rejeitou o pedido de prisão domiciliar.
“O Partido Liberal vem a público repudiar de forma veemente a rejeição ao pedido de prisão domiciliar a Jair Messias Bolsonaro, solicitado após a sua alta hospitalar em 29/12/25. Manter Jair Messias Bolsonaro preso na Polícia Federal é incabível”, registrou o PL.
O partido argumentou que Bolsonaro tem 70 anos, passou recentemente por cirurgias e apresenta “saúde debilitada em decorrência da facada que levou em 2018, em tentativa de assassinato político que, até hoje, encontra-se em investigação”. Na nota, o PL classificou o ex-presidente como “a maior liderança conservadora deste País” e considerou “inaceitável” a justificativa de ameaça à ordem pública.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Com informações de Agência Estado
