O período de estiagem em Minas Gerais exige atenção redobrada com a saúde. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, na última quinta-feira (23/7), alerta de baixa umidade para 304 municípios mineiros, com previsão de umidade relativa do ar entre 20% e 30%, índice considerado abaixo da faixa ideal para a saúde pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Além do desconforto provocado pelo ressecamento das vias respiratórias, o tempo seco favorece o agravamento de doenças como asma, bronquite e alergias, além de aumentar o risco de queimadas, que comprometem ainda mais a qualidade do ar.
Segundo o Hospital da Baleia, crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos que exigem maior atenção durante esse período.
Fumaça das queimadas agrava problemas respiratórios
De acordo com a pneumologista pediátrica do Hospital da Baleia, Fabiana Lima, a fumaça produzida pelos incêndios florestais contém gases tóxicos e partículas finas capazes de atingir profundamente os pulmões e até a corrente sanguínea.
“A fumaça das queimadas carrega uma combinação de gases tóxicos e partículas finas capazes de penetrar profundamente nos pulmões e até atingir a corrente sanguínea. Com o ar seco típico do período, esses poluentes ficam mais concentrados, ampliando a exposição da população.”
Entre os sintomas mais frequentes estão irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse e falta de ar. A médica alerta ainda para o agravamento de doenças respiratórias, como asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), além do aumento do risco de pneumonia, infarto e acidente vascular cerebral (AVC) em pessoas mais vulneráveis.
O cenário também acompanha o aumento dos focos de calor. No boletim semanal de Monitoramento de Incêndios Florestais para Vigilância em Saúde, divulgado pelo Ministério da Saúde, Minas Gerais apareceu como o sexto estado com maior número de focos de calor registrados na última semana.
Hidratação e redução da exposição ao ar seco ajudam na prevenção
Os especialistas do Hospital da Baleia recomendam manter boa hidratação ao longo do dia, evitar atividades físicas intensas ao ar livre durante os períodos de pior qualidade do ar e manter ambientes limpos e ventilados.
Também é importante não interromper tratamentos de doenças respiratórias sem orientação médica. Em locais com grande concentração de fumaça, adolescentes e adultos podem utilizar máscaras do tipo PFF2 ou N95. O uso desse tipo de máscara, no entanto, não é indicado para crianças menores de dois anos.
Segundo os médicos, pessoas que apresentarem falta de ar, chiado no peito, dor torácica, febre persistente ou piora dos sintomas respiratórios devem procurar atendimento médico.
Crianças exigem atenção especial
No caso das crianças, os médicos orientam oferecer água com frequência, estimular o consumo de frutas ricas em água e realizar lavagem nasal com soro fisiológico para reduzir o ressecamento das vias aéreas.
Pais e responsáveis também devem observar sinais como respiração acelerada, esforço para respirar, chiado no peito, sonolência excessiva, dificuldade para se alimentar e coloração arroxeada dos lábios. Esses sintomas exigem avaliação médica imediata.
Crianças com asma, rinite alérgica ou outras doenças respiratórias devem manter o tratamento prescrito e seguir o plano de ação orientado pelo pediatra durante todo o período de estiagem.