As pesquisas Atlas e Real Time Big Data divulgadas nesta terça-feira mostram números bastante diferentes, mas contam uma história política surpreendentemente parecida.
A Atlas ouviu 1.804 eleitores entre 30 de agosto e 4 de setembro, por recrutamento digital. O Real Time ouviu 2.000 eleitores entre 3 e 7 de setembro. Ambas têm margem de erro de dois pontos percentuais.
Por isso, não faz sentido misturar os percentuais nem construir uma média artesanal. Metodologias diferentes produzem fotografias diferentes.
Cleitinho continua sendo o líder da eleição mineira
Na Atlas, aparece com 41%. No Real Time, com 31%. É uma diferença enorme, mas nenhum dos dois levantamentos mostra sua liderança ameaçada no primeiro turno.
A pergunta, portanto, começa a mudar. Já não é mais quem está na frente. É qual é o tamanho real da vantagem de Cleitinho.
A novidade chamada Patrus Ananias
A Atlas dá ao candidato petista impressionantes 30%. O Real Time é bem mais moderado, com 17%, mas também o coloca isoladamente na segunda posição.
Os percentuais divergem. A mensagem política não.
Hoje, Patrus é quem mais claramente começa a se apresentar como o adversário de Cleitinho.
Isso cria um problema direto para Kalil. Ele iniciou a campanha como candidato natural ao segundo turno, com conhecimento elevado, estrutura e recursos. Agora precisa primeiro ultrapassar Patrus antes de pensar em enfrentar Cleitinho.
Mateus em estado de alerta
A situação de Mateus Simões também merece atenção. Sua principal aposta era a entrada da televisão e da estrutura governista em campo. No Real Time, porém, ele tinha 11% e continua com 11%. Na Atlas, aparece com apenas 4%.
Não se pode dizer que caiu de 11% para 4%, porque são institutos diferentes. Mas é possível dizer algo mais importante, ainda não existe evidência consistente de uma arrancada de Mateus.
O crescimento de Roscoe
Roscoe começa a apresentar alguma movimentação no Real Time, passando numericamente de 5% para 7%, embora dentro da margem de erro. Na Atlas, tem 4%. Continua pequeno para alguém que conta com PL, Bolsonaro, Nikolas Ferreira e uma estrutura robusta de campanha.
O incômodo para Kalil
Kalil também permanece preso ao segundo pelotão. Tem 9,2% na Atlas e 12% no Real Time.
E aqui está uma diferença importante: Patrus ainda pode crescer pelo aumento do conhecimento eleitoral. Kalil, muito conhecido, precisa crescer por convencimento.
As divergências do segundo turno
A Atlas mostra Cleitinho com 53,4% contra 39,3% de Patrus. O Real Time apresenta 43% a 41%, praticamente empate técnico.
É impossível escolher uma dessas fotografias apenas porque parece mais plausível ou conveniente.
Os dois institutos concordam sobre quem é hoje o principal adversário de Cleitinho, mas discordam profundamente sobre o grau de competitividade de Patrus num eventual segundo turno.
O olhar sobre o Senado
Marília Campos continua na frente, com 21% no Real Time, enquanto Aécio Neves e Domingos Sávio aparecem com 14%, e Carlos Viana, com 13%.
Aécio é o grande fato novo. Entrou tarde, mas entrou imediatamente na disputa real pela segunda cadeira.
Marília, hoje, parece disputar para preservar uma vaga. Aécio, Domingos e Viana brigam para descobrir quem ficará com a outra.
E Cleitinho pode influenciar diretamente essa corrida. Ao declarar preferência por Domingos Sávio e Superman, joga peso sobre duas candidaturas em situações completamente diferentes: Domingos já está competitivo, com 14%; Superman, com 6%, precisa de um salto muito maior.
Marcelo Aro, com 9%, é quem mais precisa observar esse movimento.
Resumo das pesquisas
A fotografia desta terça-feira começa a ganhar contornos claros. A eleição para governador parece caminhar para menos protagonistas, enquanto a disputa pelo Senado acaba ficando mais congestionada.
Cleitinho continua na frente. Patrus cresce. Mateus, Kalil e Roscoe ainda precisam provar reação.
No Senado, Marília lidera, enquanto Aécio, Domingos e Viana brigam logo atrás.
E é exatamente por isso que a pesquisa Quaest prevista para hoje se torna tão importante.
Ela poderá funcionar como uma terceira régua para responder à principal dúvida aberta pelas pesquisas desta manhã.
Minas está entrando numa eleição cada vez mais polarizada entre Cleitinho e Patrus ou o segundo pelotão ainda tem tempo e força para reorganizar completamente esse jogo?