As fortes chuvas que atingiram municípios da Zona da Mata mineira em fevereiro deste ano provocaram um impacto devastador no setor odontológico da região. Mais de 40 profissionais foram afetados e cerca de 27 estruturas, entre clínicas e consultórios, sofreram danos, gerando prejuízos que ultrapassam os R$ 6 milhões.
De acordo com um levantamento feito pelo Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG), as perdas médias são estimadas em R$ 160 mil por estabelecimento, podendo chegar a R$ 1,5 milhão em casos extremos. O cenário compromete a economia local e o acesso à saúde, já que a maioria dos estabelecimentos não possuía seguro.
Cenário de destruição e recuperação lenta
Semanas após as enchentes, a situação na região ainda é crítica. Muitos profissionais enfrentam um processo lento de limpeza e reconstrução para retomar os atendimentos.
Em cidades como Ubá, Juiz de Fora e Matias Barbosa, muitos consultórios permanecem inutilizados devido a danos estruturais severos e à perda de equipamentos de alto custo atingidos pela lama.
A rede pública também sofreu grandes perdas. Somente em Ubá, 11 consultórios municipais foram atingidos, incluindo a Policlínica Central e o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), o que sobrecarrega ainda mais o sistema de saúde local.
Ações emergenciais e suporte aos profissionais
Para enfrentar a crise, o CRO-MG criou um Comitê de Gerenciamento de Crise para coordenar ações de auxílio financeiro, doação de insumos e suporte técnico para a retomada dos atendimentos.
“Esse comitê tem um papel tanto de diagnóstico, para entender as necessidades individuais e coletivas desse grupo que foi afetado, quanto para ajudar na retomada das atividades dos dentistas. É uma retomada tanto física, com reposição de materiais, quanto de gestão”, explica Lívia Neri Menezes de Oliveira, conselheira do CRO-MG e integrante da equipe de trabalho.

Até o momento, foram realizadas a triagem e o mapeamento dos danos, além da concessão de auxílio emergencial inicial aos inscritos e da organização de campanhas de arrecadação financeira e de materiais.
Além disso, foi viabilizado um congresso científico online beneficente e articulado, junto ao Ministério da Saúde, o envio de uma Unidade Odontológica Móvel para Ubá, com o objetivo de manter o atendimento à população enquanto as estruturas físicas são recuperadas.
Como contribuir com a campanha
O CRO-MG segue coordenando a rede de solidariedade e reforça que a categoria necessita urgentemente de insumos básicos, equipamentos clínicos e recursos financeiros para a reforma dos espaços.
“A mobilização precisa continuar. As ações que foram realizadas nas primeiras semanas precisam de continuidade porque o processo ainda está começando. Elas precisam se estender enquanto a situação econômica não for restabelecida e os dentistas não tiverem condições de voltar aos seus consultórios e retomar os atendimentos”, lembra Lívia.
Empresas do setor, universidades e a sociedade civil podem colaborar por meio das campanhas de arrecadação e financiamento coletivo promovidas pelo Conselho. Todo o processo de distribuição de recursos conta com transparência institucional e prestação de contas detalhada, com o objetivo de acelerar a retomada da odontologia na Zona da Mata.
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