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Mais uma crise do petróleo. A história se repete

Por

Enio Fonseca

Enio Fonseca
  • 23/03/2026
  • 18:12

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(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

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A crise do conflito Estados Unidos-Israel x Irã que acontece agora no Oriente Médio, coloca novamente em pauta o risco geopolítico associado aos combustíveis fósseis.

Em decorrência da guerra atual houve uma queda imediata da oferta mundial de petróleo, pois grande parte deste insumo passa pelo Estreito de Ormuz, um corredor marítimo estreito que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. O território do Irã ocupa toda a margem norte do estreito. Isso permite ao país instalar mísseis costeiros, usar navios militares, drones navais, minas navais e atacar ou ameaçar petroleiros, tendo como consequência  o bloqueio de navios, o aumento do preço do seguro marítimo e redução drástica no tráfego de petróleo, derivados e outros insumos do agronegócio, e produtos de toda ordem.

Hoje o mundo consome cerca de 100 milhões de barris por dia. Cerca de 20% do petróleo mundial e do gás liquefeito passa por esse estreito todos os dias. O bloqueio do Estreito de Ormuz reduziu drasticamente as exportações de países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados. Provocou uma escassez global de petróleo e derivados. Nos primeiros dias de escalada do conflito o petróleo subiu mais de 20%, ultrapassando 100 dólares por barril, afetando o transporte, a aviação, a geração de eletricidade em países dependentes de petróleo e a indústria petroquímica.

Os preços do petróleo mostram uma subida rápida entre 120–150 US$ por barril, com cenários mais extremos a 200 US$ ou mais.

A maior cotação nominal da história do barril de petróleo foi registrada em julho de 2008, quando o barril atingiu aproximadamente US$ 147,50. Antes do auge da crise financeira global de 2008. Ajustado pela inflação, o pico de 2008 equivaleria a mais de US$ 200 por barril em termos atuais. A escassez gera inflação generalizada. Isso afeta diretamente cadeias logísticas globais: o frete marítimo aumenta, a produção de alimentos, roupas, eletrodomésticos, eletrônicos, materiais de construção ficam mais caros e as viagens tornam-se menos acessíveis.

A agricultura moderna depende muito de petróleo. Um fertilizante importante (ureia) é produzido com gás natural através do Processo Haber-Bosch (se estima que cerca de metade da população mundial – 4 bilhões de pessoas – atual só é possível graças aos fertilizantes fósseis). Se energia e combustíveis sobem, a produção agrícola fica mais cara e o preço dos alimentos aumenta.

O petróleo é matéria-prima da petroquímica. Produtos que dependem dele: plásticos, fertilizantes, fibras sintéticas, solventes, tintas, medicamentos, borrachas sintéticas e diversos produtos industriais. Sem petróleo suficiente, a indústria enfrenta falta de matéria-prima e aumento de preços.

A energia cara aumenta os custos de praticamente tudo, contribuindo para inflação global, aumento do custo de transporte e alimentos e desaceleração econômica. Cresce o risco de “stagflation” (estagflação) — inflação alta combinada com crescimento baixo.

Uma recessão global torna-se possível, quando choques petrolíferos acontecem, como por exemplo as crises do Petróleo de 1973, de 1979 e 1990.

Em 1973 o mundo enfrentou a primeira crise do petróleo, tendo como causa a guerra do Yom Kippur (Egito e Síria contra Israel).

A segunda crise do petróleo aconteceu em 1979, e teve como causa a Revolução Islâmica no Irã.

A crise se agravou em 1980 com o início da Guerra Irã-Iraque, que danificou a infraestrutura de extração e refinamento de ambos os países, mantendo os preços elevados até final da década de 1980.

A crise do petróleo de 1990 foi um choque de preços causado pela invasão do Kuwait pelo Iraque em 2 de agosto de 1990, durando nove meses

A Agência Internacional de Energia (IEA) alertou que o mundo enfrenta hoje, na nova guerra do oriente médio (EUA e Israel contra o Irã) a maior interrupção de fornecimento da história, superando os choques anteriores, devido ao bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz. Para compensar a atual falta de petróleo, países estão liberando suas reservas estratégicas e produtores fora do Golfo aumentaram a produção (EUA, Rússia, etc.).

A energia é considerada um motor fundamental do desenvolvimento econômico e social. Sem acesso a ela, atividades produtivas, educacionais e de saúde seriam severamente prejudicadas.

O uso de combustíveis fósseis e dos produtos petroquímicos é a espinha dorsal de todas essas partes da vida, faz sentido dizer que é “altamente improvável” que uma eliminação gradual de combustíveis fósseis seja apoiada quando os consumidores e contribuintes perceberem o impacto no dia a dia. As energias renováveis (eólica, solar etc.) apenas geram eletricidade, enquanto o petróleo é base de muitos dos produtos de categoria essencial à sociedade atual. Com a tecnologia presente é impossível viver sem os mais de 6.000 produtos derivados de petróleo, que são a base dos nossos estilos de vida e da nossa economia. São fundamentais, por exemplo, em medicamentos, equipamentos médicos, vacinas, embalagens de alimentos frescos e congelados (só para citar algumas aplicações). Precisamos deles para alimentar veículos, geradores, fornos e fábricas, incluindo painéis solares, turbinas eólicas, transformadores, baterias e componentes de veículos elétricos.

Vale a leitura do artigo escrito em parceria com Decio Michellis sobre este tema.

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Enio Fonseca

Engenheiro Florestal especialista em gestao socioambiental. CEO da Pack of Wolves Assessoria Socioambiental, Conselheiro do FMASE. Foi Superintendente do Ibama, Conselheiro do Copam e Superintendente de Gestão Ambiental da Cemig. Membro do IBRADES , ABDEM, ADIMIN, da ALAGRO E SUCESU

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