No contexto das tensões geopolíticas, como a atual guerra no Oriente Médio entre os Estados Unidos e Israel, contra o Irã, e seus impactos sobre o mercado de energia, novas preocupações sobre a segurança do abastecimento e a volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis, a expansão renovável é um fator de resiliência para os sistemas nacionais.
No contexto de uma nova crise de petróleo, a energia renovável vem se expandido em todo o mundo de forma consistente.
Em decorrência da guerra no golfo, os preços internacionais do petróleo fecharam o mês de março registrando a maior alta mensal em quase 40 anos, desde 1988.
Em 2025, a capacidade total de energia renovável atingiu 5.149 gigawatts (GW) após a adição de 692 GW, um aumento anual de 15,5%, segundo um novo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável- IRENA.
Um sistema energético que possua uma matriz diversificada, com todas as fontes, é estruturalmente mais resiliente, e oferece mais segurança energética e modicidade tarifária.
O relatório Estatísticas de Capacidade Renovável 2026 também aponta que as fontes solar, eólica, hidráulica, biomassa e geotérmica juntas dominaram a expansão total da capacidade, com uma participação de 85,6%, enquanto as fontes fósseis continuam a representar uma parcela menor das adições.
Em 2025 foram adicionados quase 700 GW de energias renováveis A energia solar liderou o crescimento com 511 GW. A Ásia continua liderando as adições, contribuindo com 74,2% de toda a nova capacidade renovável
Seguindo tendência observada em 2024, a energia solar liderou o crescimento com 511 GW, ou aproximadamente 75% da capacidade total adicionada de energias renováveis.
Já as adições de energia eólica somaram 159 GW. A capacidade cresceu 14% a partir de 2024, com a China responsável por quase três quartos da expansão (119,4 GW), enquanto a Índia registrou um aumento de 6,3 GW.
Juntas, solar e a eólica representaram 96,8% de todas as adições líquidas de energias renováveis no ano passado, refletindo a maior redução de custos entre todas as tecnologias renováveis, aponta o relatório.
A China também concentrou a maior parte (96%) da adição de capacidade hidrelétrica no ano passado, que somou 18,4 GW no mundo. Etiópia, Índia, Tanzânia, Butão, Vietnã, Canadá, Áustria, Indonésia e Nepal adicionaram, respectivamente, mais de 0,5 GW.
Por sua vez, a bioenergia registrou um crescimento anual de 2,3%, adicionando 3,4 GW. Liderando o ranking está o Japão, que mais que dobrou sua expansão de capacidade de bioenergia a partir de 2024, adicionando 1,1 GW em 2025.
A China seguiu com adições de capacidade de 0,8 GW e o Brasil com adições de 0,6 GW.E a energia geotérmica cresceu a uma taxa semelhante à do ano anterior, de 1,7%, adicionando 0,3 GW em 2025. As Filipinas e a Indonésia contribuíram com 0,1 GW cada para os acréscimos, seguidas pela Alemanha, Turquia e Japão.
Enquanto isso, no Brasil, grandes geradoras de energia renovável estão enxugando operações no Brasil e realizando demissões em meio à piora das condições no setor com os cortes de geração impostos às usinas eólicas e solares, um problema de difícil equacionamento, e solução concreta à vista e que está inviabilizando financeiramente tanto negócios atuais quanto novos investimentos.
Usinas renováveis passaram a sofrer cortes relevantes de produção desde meados de 2023, levando a pesados prejuízos financeiros às concessionarias elétricas.As demissões vêm na esteira de uma piora do cenário operacional e financeiro para o setor brasileiro de renováveis.
