Durante agenda em Pouso Alegre, no Sul de Minas, o governador Romeu Zema (Novo) fez críticas diretas ao governo federal e ao Judiciário, ao apontar o que classificou como “falta de transparência” na atuação de autoridades em Brasília. A declaração ocorre na última semana dele à frente do Executivo estadual.
Sem citar casos específicos, Zema questionou a confidencialidade de informações sobre deslocamentos e agendas de autoridades públicas. “Um país onde o presidente, os ministros voam para lá e para cá e ninguém pode saber quem foi e por daqui a 100 anos vai ter publicidade esses fatos. Então com certeza é porque não pode ser mostrado e quem não mostra o que faz é porque não está fazendo correto”, afirmou.
A fala do governador ocorre em meio a críticas recorrentes de setores políticos sobre sigilo em agendas e viagens de autoridades, tema que já foi alvo de debates no âmbito federal e no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na mesma linha de argumentação, Zema também defendeu a decisão recente de não divulgar a lista de empresas beneficiadas por incentivos fiscais em Minas Gerais. Segundo ele, tornar essas informações públicas seria uma medida “perniciosa” para a economia do estado.
O governador ainda sustentou que sua gestão não criou novos incentivos fiscais, apesar de o próprio projeto de orçamento estadual indicar um volume expressivo de renúncia de receitas. Para 2026, a previsão é de R$ 25,2 bilhões em benefícios fiscais concedidos a empresas.
Ao mesmo tempo, o governo projeta um déficit de R$ 2,3 bilhões nas contas públicas estaduais no próximo ano, o que reforça o debate sobre o impacto das desonerações na arrecadação.
Cenário político e eleições
No campo político, Zema também comentou as articulações para as eleições deste ano. Ele afirmou que não recebeu convite do senador Flávio Bolsonaro (PL) para integrar uma eventual chapa e reiterou que mantém sua pré-candidatura pelo Partido Novo.
A declaração ocorre em meio a movimentações da direita em Minas Gerais, que busca alinhar nomes para a disputa estadual e nacional, evitando divisão de forças no campo político.
